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Capilaridade, esse é sem dúvida o maior argumento de sustentação do elo distribuidor na cadeia de reposição de autopeças. A capacidade incomparável de logística dessas empresas, que garantem a entrega de peças em até 24 horas para a grande maioria das cidades brasileiras, fez com que elas se tornassem imprescindíveis para garantir a pontualidade e a presença do aftermarket no país continental que é o Brasil.
Atualmente, segundo dados da Andap (Associação Nacional de Distribuidores de Autopeças), este segmento conta com 268 empresas, que, junto com suas filiais, somam
mais de mil centrais de distribuição de autopeças espalhadas por todo o País. Elas são responsáveis pelo abastecimento de 38.500 lojas de autopeças que, por sua vez, atendem 92.124 oficinas. “O setor de distribuição de autopeças vem se aprimorando para atender às necessidades do mercado, com investimentos em logística para poder abastecer todo o varejo de autopeças e estar presente em todos os municípios do País”, explica Renato Giannini, presidente da Andap e do Sicap (Sindicato do Comércio Atacadista, Importador, Exportador e Distribuidor de Peças, Rolamentos, Acessórios e Componentes para Indústria e para Veículos no Estado de São Paulo).
Para Giannini, disponibilizar peças para a enorme variedade de veículos que compõe a frota circulante no País, com mais de 400 modelos de veículos, além de outras dezenas de modelos que entram no mercado todo ano, não é uma tarefa fácil. “São milhares de itens que devem abastecer as prateleiras das lojas de autopeças, inclusive componentes de veículos que até já saíram de linha, pois existe uma frota circulante que precisa ser atendida pelo setor de reposição. Mas, para isso, é importante estudar e identificar as demandas locais e dar toda a assistência ao varejo.”
O dirigente das entidades diz ainda que toda essa complexidade tem feito com que as empresas implementem processos de gestão e logística cada vez mais modernos para garantir a evolução do mercado de reposição: “Esse know-how adquirido pelo setor de distribuição ao longo de décadas vem se aperfeiçoando a cada dia. É essa característica aliada ao conhecimento de mercado e ao trabalho de treinamento junto ao varejo que permitem que a reposição esteja em constante desenvolvimento”.
Além disso, Giannini ressalta que, nos últimos anos, com a implantação da substituição tributária e da nota fiscal eletrônica, principalmente, os distribuidores tiveram de abrir filiais e investir em novos equipamentos e software: “O mercado tem mudado com uma rapidez incrível e as empresas tiveram de acompanhar essas evoluções”.
Participar de um elo que, só no ano passado, de acordo com dados da Andap, faturou R$ 11,7 bilhões não é mesmo tarefa fácil. Exige investimentos e, sobretudo, conhecimento de mercado. E não apenas em novos equipamentos e sistemas.
Com o mercado aquecido e a estrutura de pulverização já organizada, a preocupação dos grandes distribuidores agora é a de agregar valor aos seus negócios. Para isso, no entanto, não há receitas prontas e nenhuma fórmula de sucesso. Segundo Antonio Carlos de Paula, diretor da Pellegrino, cada empresa tem que escolher uma estratégia. Analisar seus pontos fortes e fraquezas e procurar potencializar o que tem de bom e resolver os problemas: “Nós trabalhamos sobre um plano mestre definido e o qual analisamos a cada seis meses para tentar eliminar ou minimizar ao máximo os pontos negativos.
Tem concorrente que acha que o ideal é vender para oficina, outros preferem focar no varejo. Não dá para dizer quem está certo ou errado, mas é sabido que toda a escolha pressupõe uma renúncia”.
Na busca pelo aprimoramento de serviços, algumas empresas rediscutem inclusive um novo modelo de gestão. É o caso da Distribuidora Automotiva, que tem apostado no modelo associativista. “Em um mercado altamente concorrido e em constante evolução, com a diversificação de marcas e modelos de veículos que trazem novas propostas na relação com o consumidor, o aftermarket precisa acompanhar esses movimentos e também começar a buscar formas diferentes para fortalecer o canal de vendas”, explica Rodrigo Carneiro, diretor Comercial da Distribuidora Automotiva.
Segundo ele, o modelo associativista, já adotado na Europa com No Brasil, a Rede PitStop é um exemplo desse trabalho. Ela é uma iniciativa da Distribuidora Automotiva e segue o modelo europeu do Groupauto. “Através deste trabalho, conseguimos oferecer mais recursos e suporte ao varejo e até renovar essas empresas já tradicionais no mercado, fortalecendo o canal de vendas do aftermarket”, conta Carneiro.
Atualmente, a Rede conta com mais de 500 pontos de vendas em 173 cidades brasileiras: “Percebemos que o empresário do varejo de autopeças se interessa em fazer parte da rede por enxergar que os benefícios oferecidos por ela, como consultoria em gestão, treinamento de equipe, padronização visual e mudança de layout para disposição de produtos, entre outras, podem contribuir para melhorar o desempenho do seu negócio. Os associados revelam que os clientes também sentem a diferença e elogiam a iniciativa”.
Troca de elos
A horizontalização da cadeia não é uma discussão nova no setor de reposição. No entanto, apesar de defender a importância da cadeia e dos elos, Antonio Carlos de Paula acredita que cabe a cada empresa a decisão de que modelo de negócio adotar: “Cada um tem o seu modelo, agora o que vai acontecer ninguém sabe. Eu, por exemplo, não consigo ver ainda muito claramente o que deve acontecer com o mercado no futuro. Para um prazo mais curto, aqui na empresa temos um plano mestre que é revisado a cada seis meses”. Segundo Carneiro, não há pesquisas que comprovem mudanças de fornecimento dos canais tradicionais do setor, mas é sabido que elas têm acontecido: “Com o aumento da frota e a entrada de novas marcas e modelos de veículos, entre outras coisas, surgem diferentes modelos de negócios devido à necessidade de levar informação e promover a qualificação profissional da ponta da cadeia: varejo de autopeças e oficinas”.
Mais ações
Independentemente do modelo que a empresa adote, os distribuidores entendem que o reparador tem um papel fundamental em todo o processo de venda do aftermarket de autopeças. E mais, a atuação desses profissionais reflete diretamente no desempenho de todos os elos da cadeia. Por isso, os distribuidores apoiam todas as iniciativas voltadas à capacitação profissional da mão de obra da reparação, como preconiza o programa Carro 100% / Caminhão 100%.
Neste sentido, destaca Giannini, as distribuidoras têm ajudado a promover treinamentos e palestras técnicas para os mecânicos: “A qualificação da mão de obra da reparação é essencial para o desenvolvimento do setor da reposição”. Além de capacitar o reparador, os distribuidores acreditam que o consumidor final também precisa ser alvo de iniciativas que promovam a reposição e esse trabalho começa pela oficina, explica Carneiro: “É o reparador que está em contato com o cliente, o dono do carro, e precisa orientá-lo sobre a importância da manutenção preventiva, que além de gerar economia garante a segurança do veículo. Esse conceito precisa ser amplamente difundido. O setor criou o programa Carro 100% / Caminhão 100%, iniciativa inédita para conscientizar o motorista sobre a importância de cuidar do veículo preventivamente que a Andap apoia, assim como as outras entidades que representam o setor. Porém, estamos falando de mudança de hábito e isso leva tempo. A inspeção ambiental veicular tem mudado um pouco essa visão e tem levado o motorista à oficina, seja porque o veículo foi reprovado na inspeção ou porque não quer ser reprovado”.
Influências positivas
Falando em inspeção ambiental, que ajudou a movimentar o mercado paulista de itens que compõem principalmente os sistemas de injeção de combustível, o vislumbre de que o programa possa se expandir para todo o Estado e até para cidades de outras regiões anima toda a cadeia.
“É uma questão de tempo para que outros municípios iniciem o processo, como a região do ABC. E, sem dúvida, isso deve aumentar o movimento nas oficinas, assim como está acontecendo na capital paulista”, diz Giannini.
Além da inspeção ambiental, outros fatores contribuíram para o mercado de reposição neste ano. O crescimento da frota circulante é um deles. Além disso, mercados específicos, como o de veículos importados e motocicletas, também já mostram potencial.
Inmetro
Se nos últimos anos a importação de produtos incomodou o mercado, a partir de 2014 os distribuidores vão contar com o Selo Inmetro de autopeças, uma arma poderosa no combate aos produtos de má qualidade.
“Trata-se de um avanço significativo no mercado de reposição que coibirá a comercialização de produtos de origem duvidosa e que não atendem às mínimas especificações técnicas, garantindo mais segurança ao consumidor na compra da peça”, afirma o presidente da Andap e do Sicap.
O selo do Inmetro, que já contempla os catalisadores, tem outros itens em processo de certificação, como as rodas. Outros componentes que terão o selo do Inmetro são amortecedores de suspensão, bombas elétricas de combustível para motores do ciclo Otto, buzinas ou equipamentos similares utilizados em veículos rodoviários automotores, pistões de liga leve de alumínio, pinos e anéis de trava (retenção), anéis de pistão, bronzinas e lâmpadas para veículos automotivos, entre outros.
Perspectivas
Com uma previsão de mercado interno ainda aquecido, mesmo diante dos problemas econômicos internacionais, os distribuidores projetam crescimento para 2012. Em algumas empresas, como na Distribuidora Automotiva, por exemplo, a expectativa é de fechar 2011 com o faturamento 10% maior que no ano anterior e de repetir a dose no próximo ano. “Devemos manter o mesmo ritmo de crescimento. Quanto ao mercado de reposição, deve continuar aquecido devido ao aumento da frota circulante que cresceu muito e continuará gerando demanda para o nosso segmento”, afirma o diretor Comercial da distribuidora.
Menos otimista, mas ainda assim positivo em relação ao mercado, Antonio Carlos de Paula diz que o faturamento para este ano na empresa deve crescer cerca de 3%. “Esse é um resultado que consideramos bastante realista. Tem muita gente dizendo que o mercado está crescendo, mas não está acontecendo da forma como dizem. Ninguém sai feliz da vida para consertar o carro e esse é um mercado que ainda exige conscientização”, explica de Paula, que também prevê um crescimento similar para o ano que está por começar. |