Edição 191 - Sustentabilidade
 
Biomassa no asfalto
Goodyear anuncia que em 2013 iniciará a comercialização do pneu fabricado com bioisoprene,
produto orgânico e renovável que substituirá o petróleo como matéria-prima
 
Redação
 
  Biomassa no asfalto
   
   
  O bioisopreno substituirá 26 litros de petróleo em cada pneu fabricado pela Goodyear com essa matéria-prima, a partir de 2013
  O bioisopreno substituirá 26 litros de petróleo em cada
pneu fabricado pela Goodyear com essa matéria-prima,
a partir de 2013
   
  biopneu
  O biopneu gera menos atrito, reduzindo o consumo de combustível e, por consequência, menos poluição
   

Os bastidores do setor automotivo vivenciam uma competição silenciosa e importante, na qual o vencedor poderá ganhar muito dinheiro e um prestígio incomensurável. A disputa envolve montadoras e seus fornecedores de todos os tamanhos e dos quatro continentes. O objetivo é ser o primeiro a apresentar ao mercado o veículo sustentável – que utilize a menor quantidade de recursos naturais em sua construção; que durante seu funcionamento seja menos poluente (se possível com emissão zero) e, no final da vida útil, torne-se 100% reciclável.

Mas, enquanto o sonho não se torna realidade, algumas fórmulas “parciais” são apresentadas aqui e acolá, como mais um degrau da escada que levará o vencedor ao topo do mundo no quesito ambiental. Nesse contexto, os carros brasileiros bicombustíveis representam avanço, assim como os elétricos e os híbridos.

Simultaneamente a indústria de componentes apresenta novidades. O segmento de pneus é um exemplo. A Goodyear utiliza o bioisoprene natural como matéria-prima para o seu pneu construído de biomassa renovável.

“O produto Bioisopren é derivado de matérias-primas renováveis e representa um importante desenvolvimento para as indústrias bioquímicas e de borracha. Além da borracha sintética usada na produção de pneus, o isopreno tradicional é aplicado na manufatura de uma vasta gama de produtos, como luvas cirúrgicas, bolas de golfe e adesivos. Por isso, o potencial do produto é substancial”, informou a empresa.

Dentre os benefícios do novo modelo no segmento de pneus, o primeiro deles encontra-se no processo construtivo e consequente redução do consumo de petróleo. A grandiosidade da vantagem ambiental é percebida através da escala mundial. Atualmente, a indústria fabrica cerca de um bilhão de pneus por ano em todos os continentes, e cada unidade contém 26 litros
de petróleo!

Mas, a nova tecnologia permite outras vantagens, dentre elas, a redução da resistência à rodagem, do barulho e da emissão de gás carbônico. Consequentemente, a produção do pneu também utilizará menos consumo de energia. Na rodagem, a menor resistência implica no menor consumo de combustível pelo veículo.

Por fim, a durabilidade do produto é maior e, ainda, o impacto ambiental causado no descarte do pneu, no final de sua vida útil, será menor, já que parte dele será biodegradável.

Jesse Roeck, diretor global da área de Ciências dos Materiais da Goodyear, destaca os avanços tecnológicos dessa novidade: “O primeiro pneu-conceito da Goodyear fabricado com bioisoprene demonstra o enorme progresso que fizemos ao utilizar em nosso processo de produção a biomassa como alternativa ao isopreno, derivado do petróleo”. Mas, acima de tudo, ele reconhece os benefícios ambientais: “O desenvolvimento do bioisoprene pode ajudar a reduzir o impacto da indústria sobre o ambiente, usando materiais renováveis na cadeia de produção e tornando a Goodyear menos dependente de produtos derivados do petróleo.”

Prazo para chegar

Segundo comunicado da Goodyear, os pneus feitos com Bioisopren são resultado de uma iniciativa da empresa em cooperação com a Genencor, divisão da Danisco. “Tem havido uma busca intensiva, há anos, por fontes alternativas de isopreno, em particular a partir de recursos renováveis, como a biomassa”, enfatizou Joseph McAuliffe, da Genencor, ao apresentar o novo processo durante a Conferência Anual da Sociedade Química Americana, nos Estados Unidos.

“Um dos desafios técnicos tem sido o desenvolvimento de um processo eficiente para converter os açúcares em isopreno. Nós resolvemos isto utilizando um processo de fermentação baseado em uma cepa de bactérias geneticamente modificadas para converter os carboidratos da biomassa em nosso bioisopreno”, diz McAuliffe.

A descoberta tem potencialidade para várias aplicações. “Este é um mercado enorme”, disse Joseph McAuliffe. “O bioisopreno servirá como alternativa renovável e economicamente competitiva ao isopreno. É o tipo de material que poderá abrir novos mercados, por isso eu acredito que os números de consumo atual do isopreno subirão muito quando o isopreno renovável estiver disponível”, prevê ele.

No segmento de pneus, as pesquisas tiveram início em 2008. “As duas organizações trabalham em conjunto no projeto de um sistema de produção integrada para o bioisoprene e preveem atingir as metas tecnológicas e comerciais previstas em contrato. A disponibilidade comercial do produto está prevista para 2013”, comunicou a Goodyear

 
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