Edição 191 - Duas Rodas
 
CG 150 Titan Mix chega ao mercado de reposição
Depois de agitar o mercado de novos, o modelo
bicombustível da Honda deve exigir mais dos reparadores
 
Cléa Martins e Patrícia Larsen
  CG 150 Titan Mix chega ao mercado de reposição
   
  CG 150 Titan Mix
   
  CG 150 Titan Mix
  Modelo não conta com subtanque para partida a frio
   

Após o período de garantia, 74% dos veículos passam a ser reparados nas oficinas indepen-dentes. Pelo menos é o que diz pesquisa do Gipa – Grupo Interprofissional Automotivo. E com o mercado de duas rodas não é diferente. São poucos os proprietários de motos que continuam indo à concessionária para fazer suas inspeções e reparos quando expira o prazo de garantia dado pelas montadoras. Até aí nada de novo.

O fato é que este ano vence a garantia das primeiras motocicletas bicombustíveis vendidas no País, a Honda CG 150 Titan Mix.

Apresentada ao público em março do ano passado, o modelo, além de permitir ao motociclista o poder de escolher o combustível – gasolina ou álcool – que mais se adequa às suas necessidades, trouxe inúmeras inovações técnicas. Mudanças que devem fazer com que muitos reparadores deste segmento tenham que correr atrás de algumas informações antes de atender os novos clientes.

Desenvolvida pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Honda no Japão especificamente para o público brasileiro, a tecnologia Mix é original de fábrica. O sistema possui componentes exclusivos e dispensa qualquer tipo de adaptação, permitindo o uso da gasolina, do álcool ou da mistura dos dois combustíveis.

A opção pelo não uso do subtanque foi feita em privilégio ao conjunto mais leve e compacto, que não interfere na dinâmica da motocicleta. Isso faz com que, em condições de temperatura ambiente abaixo dos 15ºC, o tanque deva conter um mínimo de 20% de gasolina para que se garanta a partida a frio.

Funcionamento

Como nos veículos com injeção eletrônica, o sistema Mix da moto também é coordenado por um ECM (Engine Control Module) exclusivo, interligado a sensores que monitoram o desem-penho do motor e transmitem informações sobre a mistura que está sendo utilizada. De acordo com os dados fornecidos por estes sensores, o ECM escolhe entre quatro programas de funcionamento.

O sensor de oxigênio, localizado logo na saída do motor, é o principal responsável pelo perfeito funcionamento do sistema Mix. Este faz a leitura dos gases queimados e passa a informação ao ECM. Se o resultado da combustão for uma mistura mais pobre, significa que o combustível utilizado é a gasolina. Assim, ativa-se o Programa 1. Por outro lado, se a mistura for mais rica – o que indica a utilização de álcool – ativa-se o Programa 4. Caso a mistura seja intermediária, ativam-se os Programas 2 ou 3, de acordo com a situação.

Com base no mapa de funcionamento escolhido, o ECM transmite as informações ao bico injetor, que fornecerá a quantidade adequada de combustível para a queima, levando-se em conta a mistura que está sendo utilizada, e acertará o ponto de ignição – adiantando-o no caso do álcool e atrasando-o no caso da gasolina.

Para adequar a CG 150 Titan Mix à utilização do álcool, algumas alterações técnicas foram necessárias. O bocal interno do tanque ganhou uma tela antichamas para evitar a propagação de fogo de fora para dentro do tanque. O bico injetor, exclusivo, permite maior vazão, enquanto o filtro de combustível secundário possui maior capacidade de retenção de sujeiras e evita o entupimento precoce da bomba. O gerador foi adequado para atender ao maior esforço provocado pela partida a frio. O tratamento interno do tanque e o potenciômetro do marcador de combustível também foram modificados para funcionamento com álcool. Por fim, a bomba de combustível ganhou um tratamento interno para suportar o uso do álcool.

Detalhes técnicos

O motor OHC (Over Head Camshaft), monocilíndrico, de quatro tempos e 149,2cm³, é arrefe-cido com ar. Além disso, possui comando de válvulas no cabeçote e balancim, ambos roleta-dos. É alimentado por sistema de injeção eletrônica PGM-FI (Programmed Fuel Injection). O modelo traz ainda bateria selada, de maior vida útil e isenta de manutenção, garantindo ao usuário partidas mais rápidas e eficientes nas versões com partida elétrica (ES e ESD).

A suspensão dianteira, formada por braço telescópico, tem curso de 130mm. Na traseira, o braço oscilante possui curso de 101mm. O conjunto, combinado aos amortecedores com cinco posições de regulagem da tensão da mola, proporciona conforto, progressividade e estabilidade mesmo em pisos irregulares.

Os pneus, do tipo 80/100 – 18M/C 47P na dianteira e 90/90 – 18M/C 57P na traseira, garantem aderência, segurança e conforto necessários para a pilotagem urbana do dia a dia.

Na dianteira, tambor com 130mm de diâmetro garante frenagem eficiente para as versões KS e ES. Já a versão ESD dispõe de freio dianteiro a disco, com 240mm de diâmetro, e cáliper de dois pistões. Na traseira, todas as versões vêm com freio a tambor com 130mm de diâmetro.


 
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