Edição 190 - Sustentabilidade
 
Ações de Valor
Conheça a trajetória, os programas e os resultados obtidos pelo Banco Santander com os investimentos em sustentabilidade
 
Redação
 

 

  Linda Murasawa
  Linda Murasawa acredita que a sustentabilidade é parte importante nos resultados financeiros e sociais do Santander
   

O baixo estoque de recursos naturais, a precariedade na qualidade de vida de grande parcela da população mundial e as consequências causadas pelos processos produtivos ou hábitos de consumo – cujos reflexos nocivos afetam toda espécie de vida – fazem da sustentabilidade um elemento imprescindível aos seres humanos.

Considerada inicialmente modismo, aos poucos ela vai se consolidando como instrumento perene e de alto valor para as empresas. Um exemplo é o Banco Santander, que investe em ações sustentáveis e dissemina suas práticas.

Sustentabilidade tornou-se relevante na corporação desde que o banco a abraçou em 2001. Tanto que, já no princípio o movimento foi liderado pelo próprio presidente da empresa, Fabio C. Barbosa.

Primeiramente ele reuniu executivos da organização para refletirem sobre o papel da instituição na sociedade. “Nessa época, ainda não falávamos em sustentabilidade, mas em construir um novo banco para uma nova sociedade”, lembra Linda Murasawa, superintendente de Desenvolvimento Sustentável do Santander.

Esse desejo decorria da constatação de que a sociedade iniciava um processo de transformação que se intensificaria com o passar dos anos: os consumidores estavam cada dia mais conscientes e bem informados, crescia a cobrança por uma postura social e ambientalmente responsável das empresas e nasciam novos meios de comunicação para os indivíduos expressarem suas opiniões.

A vontade de criar mecanismos para atender à postura da sociedade levou o grupo a aprofundar os conhecimentos. “Com o amadurecimento da questão da responsabilidade social corporativa, no passar dos anos percebemos que nosso maior desafio seria trazer para o dia a dia da organização questões como transparência nos relacionamentos e compatibilização entre o crescimento financeiro e a geração de benefícios para a sociedade e para o meio ambiente”, complementa.

Definido o objetivo, o grupo estabeleceu metas e seguiu adiante, naturalmente enfrentando percalços inerentes às inovações comportamentais. De lá para cá, várias mudanças foram implementadas.

“Entre as premissas que adotamos no início do movimento, uma das mais importantes foi que a mudança deveria acontecer de dentro para fora, ou seja, nossa proposta não era nos adaptarmos a uma boa prática ambiental ou apoiarmos grandes causas sociais. Definimos que trabalharíamos para mudar o patamar de consciência dos funcionários para que promovessem mudanças não só dentro do trabalho, mas em casa, na escola, na comunidade”, enfatiza a superintendente.

“Acreditamos que o indivíduo engajado é que muda a empresa, que por sua vez influencia o mercado, que influencia a sociedade. Por isso, a transformação do Banco Real – e agora do Santander – em um banco mais sustentável tem acontecido ao longo dos anos por meio do trabalho de todos os indivíduos – funcionários, parceiros, clientes e fornecedores.” Hoje a sustentabilidade está consolidada, faz parte da missão da empresa e é compreendida por funcionários e diretores.

Simultaneamente o banco implementou mudanças estruturais ou de conduta para melhorar os serviços, dentre elas, Linda Murasawa destaca “a extensão do Programa Obra Sustentável para clientes; o lançamento do Reforma para Acessibilidade, uma nova modalidade de crédito para reforma e adequação de imóveis às normas de acessibilidade; a implementação do Papa-Pilhas nas agências Santander; a disponibilização do Fundo Ethical para clientes Santander, e o serviço de assessoria, negociação e financiamento de Créditos de Carbono para clientes corporativos”.

Visando difundir o conhecimento o Santander promove a fornecedores e clientes corporativos treinamento presencial – no qual executivos apresentam a trajetória de inserção de sustentabilidade nas práticas do banco. Segundo Linda, essas ações fazem parte do Espaço de Práticas em Sustentabilidade, criado para ajudar outras empresas a repensar seus negócios de maneira lucrativa e inovadora, integrando resultados financeiros, cuidado com o meio ambiente e com a sociedade.

“Em Investimento Social Privado, temos o Projeto Escola Brasil, que é o programa de voluntariado corporativo de todo o Grupo, e o Amigo de Valor, que facilita o direcionamento de parte do Imposto de Renda devido aos Fundos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente”, explica. E acrescenta: “Ainda em educação, temos o Santander Universidades, um dos maiores programas de apoio ao ensino superior do mundo. E o Universia, rede que reúne informações sobre universidades, bolsas de estudos e oportunidades de carreira para universitários também do mundo inteiro”.

No que se refere a certificações, o Santander conquistou a ISO14001 em edifícios administrativos e o Leed (Leadership Energy Efficiency Design) na agência Granja Vianna. A Torre/ Sede, em São Paulo, está em processo de certificação e o levantamento de emissões dentro do padrão do GHG Brasil.

À primeira vista pode-se deduzir que todas essas mudanças internas e programas para clientes e fornecedores exigiram altos investimentos. Todavia, a superintendente os analisa sob outro prisma. “As várias ações de sustentabilidade podem no primeiro instante ter um investimento. Porém, conforme o seu desenvolvimento, temos também a redução de custos.” Ela cita exemplo: “Os programas de ecoeficiência, que trouxeram reduções no consumo de água, energia, etc., ou a atratividade de novos clientes que se identificam com o tema. Enfim o custo x benefício sempre é considerado, e lembrando que estamos gerando um valor à empresa, pois a sustentabilidade é um conceito que é transversal a todas as áreas e deve permear as ações, atitudes, os produtos e serviços, o atendimento e os processos da organização”.

Quando questionada acerca dos resultados financeiros desse investimento ela é pragmática e responde que é difícil mensurá-los, pela seguinte razão: “Esse não é um projeto, mas um conceito, um valor da organização; está espalhado por todas as áreas e extrapola nossas fronteiras; alcança de forma ampla a cadeia produtiva, que inclui fornecedores, colaboradores e clientes”. Mas, ao fazer uma análise de um amplo espectro corporativo, Linda garante que as empresas que melhor pontuam na questão social e ambiental são as que apresentam melhor desempenho financeiro. E isso não é coincidência. Portanto, ela conclui afirmando que “temos convicção no modelo que adotamos e que ele é parte importante dos nossos resultados, tanto financeiros quanto sociais”.

 
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