A reposição no Brasil mudará nos próximos anos. Grande aposta do Grupo Comolatti, a rede associativista PitStop, com foco para lojas de autopeças e oficinas, já conta com 200 pontos de vendas em São Paulo e Minas Gerais. Essas e outras revelações do presidente do Grupo, Sergio Comolatti, estão na entrevista exclusiva que concedeu para a Revista Mercado Automotivo.
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Sergio Comolatti |
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Mercado Automotivo – O senhor acredita na tese segundo a qual no segmento de reposição há brasis – um de primeiro mundo, que exige peças de qualidade, e outro de terceiro, que olha apenas o preço?
Sergio Comolatti – Não vejo desta forma. O mercado é altamente competitivo e o fator preço é importante, mas não é apenas esse elemento que é levado em consideração. A questão da qualidade também pesa na tomada de decisão. Na verdade, o mercado quer preço e produtos de qualidade, o que exige esforços de toda a cadeia de aftermarket.
RMA – Levando-se em conta que a escala é importante para a redução do custo, até que ponto o segundo perfil de consumidor torna-se entrave para a introdução mais rápida da tecnologia no Brasil e redução do preço médio das peças?
SC – O preço médio das autopeças oscila de acordo com a demanda do mercado. Não há grandes variações. O setor da reposição automotiva acompanha a evolução tecnológica da indústria de autopeças. É importante ressaltar que nesse mercado quem escolhe as peças que serão aplicadas nos veículos são os reparadores. Dificilmente o consumidor compra as peças que serão usadas na manutenção do seu veículo. Portanto, é o reparador quem faz isso até para oferecer comodidade ao cliente. Além disso, é o reparador quem sabe qual é a peça exata para ser aplicada em um determinado modelo de veículo.
Por isso, ele também está ciente que se usar uma peça sem qualidade para fazer a manutenção do veículo há grandes chances de precisar fazer o trabalho novamente, o que gera prejuízo para a oficina. Entendemos, desta forma, que existe uma grande necessidade de qualificar, ainda mais, os reparadores independentes.
RMA – A preferência de parte do consumidor por produtos de qualidade duvidosa – alguns piratas – levam grandes empresas a repensarem investimentos no País?
SC – Muito pelo contrário, as montadoras trabalham com produtos de qualidade que são fabricados por estas indústrias de autopeças. E como a frota está crescendo muito no Brasil, esses produtores não podem parar de investir em qualidade e produção.
RMA – A propósito, é mito ou realidade as afirmações que apontam que as grandes corporações preferem investir na China e de lá fazer uma plataforma de exportação, inclusive para o Brasil?
SC – Este é o movimento que depende muito da estratégia de operação das matrizes de multinacionais instaladas no País. Claro que o baixo custo da mão de obra na China é um grande atrativo paras as empresas, porém são decisões individuais de cada companhia. Ultimamente temos notícias que o custo da mão de obra de montadoras na China tem se elevado muito e, num futuro próximo, a equalização de preços pode acontecer.
RMA – Para onde caminhará o mercado de reposição independente no Brasil? Qual seu conceito acerca de redes de varejo de autopeças?
SC – O setor da reposição automotiva deverá passar por mudanças nos próximos anos. Estamos vivendo um momento semelhante ao que o setor de farmácias, por exemplo, viveu há 15 anos quando iniciou uma profunda transformação com a entrada de grandes redes. E isso começa a acontecer no Brasil. Inclusive, o Grupo Comolatti, por meio da Distribuidora Automotiva, estudou o mercado europeu e se filiou ao Group Auto Union International que já implementou o conceito de rede no aftermarket na Europa e que hoje está presente em mais de 25 países e tem 20 anos de experiência no assunto. Este modelo foi adaptado para atender às necessidades do nosso mercado e à Rede PitStop, marca utilizada pela Distribuidora Automotiva para a sua rede, que, em apenas um ano, chegou a 200 pontos de vendas, concentrados entre os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. É a primeira iniciativa de formação de redes associativistas no Brasil com foco para lojas de autopeças e oficinas, oferecendo um padrão de comunicação visual através de identidade de marca e fachadas, treinamento de equipes e consultoria de campo com presença nas lojas, foco na gestão e na operação do negócio, que envolvem uma profunda transformação na forma de como o empresário enxerga o seu negócio.
Acredito que o conceito de rede vai fortalecer o aftermarket e trazer mais rentabilidade ao negócio, além de atender às necessidades do mercado, oferecendo atendimento de qualidade para satisfazer o cliente que está cada vez mais exigente.
RMA – Muito já se falou em consolidação e em modelos de varejo do futuro. No seu entender, qual a principal mudança que deverá ocorrer?
SC – No formato atual, a sobrevivência do varejo e dos aplicadores independentes está ameaçada. Por isso, acredito que deverá acontecer uma profunda transformação neste mercado para que as lojas de autopeças e oficinas possam sobreviver diante de um ambiente altamente competitivo com a entrada no aftermarket cada vez mais agressiva das redes de concessionárias na venda de autopeças para a reposição. As redes de lojas de autopeças e oficinas terão condições para enfrentar a concorrência e se fortalecerem.
RMA – E qual é a tendência da distribuição?
SC – O setor de distribuição de autopeças deve estar atento para as mudanças do mercado e dar todo o suporte necessário para os canais que são a fonte geradora de demanda. Estou falando das lojas de autopeças que vendem para as oficinas que, por sua vez, estão em contato direto com o consumidor final. É para eles que a distribuição deve dedicar toda a atenção e esforços e trabalhar para o fortalecimento da ponta da cadeia. Esses canais são vitais para a reposição.
Qualquer movimento gera reflexos em toda a cadeia. Por isso, o setor da distribuição, que está consolidado e investe em melhoria de processos e logística para melhor atender os clientes, deve também se preocupar com a ponta.
RMA – Qual o perfil ideal de um fornecedor do Grupo Comolatti?
SC – Mantemos um excelente relacionamento com todos os nossos fornecedores. São mais de 50 anos de dedicação e muito trabalho para estabelecer relacionamento comercial baseado na fidelidade que mantemos com nossos fornecedores, na defesa das marcas, no respeito da relação comercial e da cadeia e principalmente na geração de resultados através do diálogo e do entendimento, garantindo sempre um bom negócio para ambas as partes. Desta forma, este relacionamento nos permite sermos líderes de mercado no setor de distribuição de autopeças para a reposição no Brasil. O importante é construir uma relação sólida e transparente que permita o crescimento sustentável de toda a cadeia.
RMA – E do cliente?
SC – Esta mesma tradição de mais 50 anos e o respeito que temos com os nossos fornecedores também foram direcionados para o cliente.
A construção de uma relação de confiança e de interesses mútuos foi fundamentada ao longo de toda a nossa história, fortalecendo este relacionamento. Neste momento, a criação de uma rede para os nossos clientes consolida este nosso posicionamento.
RMA – Partindo dos resultados dos primeiros seis meses, é possível projetar qual o desempenho no ano de 2010 para o segmento de reposição independente?
SC – Ainda não temos um número definido, mas os resultados alcançados nos primeiros seis meses indicam que 2010 será bem melhor do que o desempenho do ano passado.
Vários fatores contribuem para isso, entre eles, o Brasil conseguiu superar as ameaças da crise internacional e a economia cresce a níveis altos, impulsionando o mercado de consumo. A inspeção ambiental veicular também tem gerado aumento de demanda nas oficinas da cidade de São Paulo.
RMA – E quais são os programas do Grupo Comolatti para colaborar para o fortalecimento desse mercado?
SC – Estamos investindo fortemente em tecnologia e treinamento para atender às necessidades de nossos clientes e inovamos trazendo uma proposta de negócio para o aftermarket brasileiro. Como investimento em tecnologia, estamos este ano em processo de implementação do Sistema SAP como nosso ERP. Por fim, a implantação da Rede PitStop é mais uma contribuição para o fortalecimento do aftermarket no Brasil. |