Edição 189 - Sustentabilidade
 
Primeiros Passos
Antes de decidir transformar sua empresa em sustentável, o empresário deve saber
se está de fato comprometido com todos os fatores que a envolvem
 
Redação
 

 

  Voltolini
  Voltolini recomenda à empresa não arriscar a ser sustentável enquanto tiver visão apenas superficial de seus valores
   

Se nos anos 80 muitas empresas adotaram a qualidade como diferencial competitivo – nesse período ocorreu a implantação do Círculo de Controle da Qualidade (CCQ) –, na década de 90 o imperativo foi a padronização, com a ISO.

Enquanto davam forma à metodologia analítica na corporação, os presidentes ouviam os ensinamentos dos gurus da administração e os transformavam em programas – ou filosofias – gerenciais, tais como dowzing e holismo, dentre outros. Paralelamente eles conviviam com reivindicações crescentes – e por vezes conflituosas – pela atenção à ecologia e ao ser humano.

Agora, no início do século XXI, a sustentabilidade parece ser a forma de harmonizar esses interesses, aglutinando ações sociais e ambientais à meta de lucro, com sucesso e sem remorso.

Razão pela qual sustentabilidade passou a ser a estrela-guia de muitos executivos. Mas, para seguir a luz é preciso saber aonde se quer chegar. “Antes de iniciar os programas, o empresário precisa se conscientizar sobre sustentabilidade e o que a mesma significará para sua empresa”, diz o consultor Ricardo Voltolini, diretor da Ideia Sustentável. “Ele deve refletir se está disposto a encarar grandes desafios e mudar as práticas do que está fazendo hoje”, explica. O segundo passo é fazer um diagnóstico para identificar como as atividades da empresa se enquadram no tripé da sustentabilidade: ambiental, social e econômico.

“No aspecto ambiental, por exemplo, nós não temos uma tradição em economizar. Fomos criados sob a perspectiva de que os recursos naturais são abundantes e, em certas circunstâncias, infinitos. É fundamental mudar o paradigma”, adverte Voltolini. Ele recomenda um diagnóstico para identificar quais são os impactos que as atividades da empresa provocam no ar, no solo e na água. “Precisa verificar a emissão de gases, o consumo de energia elétrica e de água; consumo de combustível e forma de descarte do lixo.”

Na sequência, deve implantar processos e tecnologias que reduzam as agressões ao meio ambiente. Há, inclusive, empresa fazendo estudo para conhecer o que é menos nocivo: servir água e café em copos descartáveis ou em xícaras de porcelana e copos de vidro, pois, se de um lado elimina o plástico, por outro aumenta o consumo de detergente na lavagem dos objetos.

Quanto ao aspecto social, seriedade e transparência são determinantes. Para Voltolini, a empresa que contrata deficiente físico apenas para cumprir a cota determinada em lei não está sendo socialmente sustentável. A organização, além de cumprir a legislação trabalhista, pode também manter uma política de bom relacionamento e de assistência aos funcionários visando o bem-estar de todos; deve ser transparente na comunicação com o público – interno e externo – e colaborar com a comunidade onde está situada.

Embora não considere o departamento de marketing o mais adequado para implantar e gerir a sustentabilidade – por focar sua atuação na comunicação –, Ricardo Voltolini entende que qualquer setor na empresa pode fazê-lo, desde que seja um programa sério e sob determinação da alta diretoria.

Para o diretor da Ideia Sustentável são necessários investimentos para uma empresa se adequar aos ditames da sustentabilidade. Mas, via de regra, as medidas implantadas acabam gerando economia que compensam os investimentos financeiros, sem contar os ganhos com a melhoria do conceito da organização junto à sociedade e ao mercado em geral.

 
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