Com altos investimentos e uma arrojada visão de futuro, a Delphi foca na satisfação tanto de seus consumidores diretos quanto na dos clientes de seus clientes para manter-se em crescimento contínuo nos mercados de O&M e de aftermarket, onde atua, informa Frank Ordoñez, presidente mundial da Delphi Soluções em Produtos e Serviços, divisão de Aftermarket.
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Frank Ordoñez |
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Revista Mercado Automotivo: A Delphi informou ter destinado US$ 80 milhões para o biênio 2009/2010 para serem investidos na Argentina e no Brasil. Estes investimentos já foram concluídos?
Frank Ordoñez: A maior parte deste total já foi concluída. Mas, além desse montante, a Delphi tem investido todos os anos de 45 a 50 milhões de dólares na América do Sul, mais precisamente na Argentina e no Brasil, o que tem representado ao redor de 10% das vendas totais da Delphi, o que é um volume bastante alto de investimento. E eles deverão continuar, face aos resultados positivos obtidos nesta região. Estes investimentos estão distribuídos tanto em capacidade de produção como também em desenvolvimento de novas tecnologias (desenvolvidas no Centro de Tecnologia de Piracicaba, interior de São Paulo), cujos produtos são destinados tanto para o mercado interno quanto para outras regiões do mundo onde atuamos.
RMA: Destes 80 milhões de dólares, quanto coube a cada país, Brasil e Argentina?
Frank Ordoñez: Por normas internas nós não divulgamos os valores investidos em cada país, mas podemos dizer que temos flexibilidade para adaptar e direcionar nossos investimentos para atender as necessidades dos nossos clientes, tanto de montadoras quanto do aftermarket. Em função do acentuado crescimento, o Brasil deverá receber uma parcela maior dos investimentos destinados a esta região.
RMA: Notícias recentemente veiculadas nos jornais dão conta de que o Brasil já ultrapassou os Estados Unidos na produção de carros de passeio. Como o senhor vê esta situação?
Frank Ordoñez: Isto não me surpreende. É sabido que os países pertencentes ao Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) cresceram de maneira exponencial, comparados aos países da Europa, junto com os Estados Unidos, que ainda estão enfrentando os problemas da crise iniciada no ano passado. O Brasil está passando por uma fase muito favorável e tem um enorme potencial de crescimento. Aliada às novas descobertas de campos petrolíferos, este crescimento se elevará ainda mais, gerando mais riqueza e expandindo o mercado consumidor, o que para nós é uma ótima notícia, pois, com a expansão do mercado automotivo de carros novos e com uma frota cuja idade média passa dos 10 anos, aumenta também significativamente o consumo de peças no aftermarket, que também é o nosso negócio.
Na Europa e nos Estados Unidos o mercado de automóveis tem de uma a duas pessoas por carro e aqui no Brasil existem aproximadamente seis pessoas para cada carro, o que demonstra o enorme potencial de crescimento.
RMA: Como o senhor vê os mercados de O&M e aftermarket para a Delphi na América Latina?
Frank Ordoñez: No total, nosso faturamento aqui na região ultrapassou US$ 1 bilhão, em ambos os mercados, o que é muito representativo, e temos a cada dia aumentado nossa participação de maneira sustentável nos mercados onde atuamos. O nosso crescimento no Brasil em 2009, que foi um ano atípico, foi da ordem de 25%, sendo um dos maiores do mundo, e esperamos que continue assim. Eu diria que de 2009 a 2010, a América do Sul foi, para nós, a região que mais cresceu em nossa divisão de Aftermarket.
Temos negócios com a Fiat, Volkswagen, General Motors e outras montadoras, com as quais estamos muito bem posicionados, e agora podemos trazer para o aftermarket os produtos originais das fábricas.
RMA: É sabido que aqui no Brasil algumas montadoras têm pressionado os fabricantes de autopeças que também fornecem ao aftermarket na tentativa de impedir que estes fabricantes comercializem estas peças, chamadas “originais”, no mercado de reposição, alegando propriedade do desenho industrial. A Delphi tem sentido algum tipo de pressão nesse sentido?
Frank Ordoñez: Em minha opinião, esta é uma questão muito importante. Examinando as estatísticas do mercado brasileiro, notamos que 80% dos proprietários de veículos dirigem-se ao mercado de reposição. E, para nós, uma das coisas mais importantes é ter capacidade de atender não só as montadoras, mas também os clientes dos nossos clientes, ou seja, nossa preocupação é manter o consumidor final satisfeito com seu veículo. Na realidade, sabemos que temos uma frota com idade média acima de 10 anos; sendo assim, o aftermarket tem como principal objetivo atender a demanda de reparação.
O que queremos é trabalhar de forma complementar e conjunta, ou seja, fornecer produtos e serviços aos motoristas que não vão às concessionárias e esperam poder manter seu carro com peças originais.
Nosso objetivo, aqui na Delphi, é auxiliar as montadoras na extensão da manutenção dos veículos de suas marcas. Nós nos preocupamos com o consumidor fornecendo aos instaladores produtos com garantia de qualidade. Assim, o cliente dele sairá da oficina satisfeito e estaremos protegendo, além do cliente, a nossa marca e a marca dos veículos que utilizam nossos produtos.
RMA: O Sindirepa (Sindicato da Reparação Automotiva) está estudando a possibilidade de, junto com outras empresas, vir a examinar, de forma técnica, as peças de um veículo quando este se acidenta, para se saber a real causa do sinistro, muitas vezes atribuída, erroneamente, apenas ao motorista. Como o senhor vê esta iniciativa?
Frank Ordoñez: Isto é muito importante. Esta é uma iniciativa que está acontecendo em outros países. Alguns problemas de qualidade que ocorreram nos Estados Unidos, por exemplo, que vieram a gerar um “recall”, foram graves e, em função disso, já existe a iniciativa naquele país de se escrever normas para que as montadoras instalem caixas pretas nos automóveis, a exemplo das que equipam os aviões. Muitos não sabem, mas todos os veículos novos já têm as tais caixas pretas, apenas não foram instalados ainda o software e o dispositivo para ler e armazenar as informações. Todos os sensores existentes nos carros são, na realidade, um computador, capaz de armazenar todas as informações referentes ao veículo. Acredito que, em breve, e por lei, deveremos ter acesso a estas informações, que serão bastante úteis para se estabelecer tudo o que ocorreu por ocasião de um acidente.
RMA: A Delphi esta inaugurando um novo laboratório para testes de arquitetura eletrônica. A Delphi inaugura um novo nicho de mercado na prestação de serviços?
Frank Ordoñez: A intenção é ter um laboratório capaz de oferecer todos os testes para todas as montadoras aqui no Brasil.
A Delphi será a primeira empresa na América do Sul a oferecer este tipo de serviço que trará, entre outras vantagens, melhor adequação dos componentes que se quer instalar nos veículos, e com custos menores, além de reduzir em pelo menos dois meses o tempo para a realização destes testes, que antes eram feitos apenas na Europa ou nos Estados Unidos.
Nós pensamos numa empresa global e não numa empresa internacional. Uma empresa internacional depende inteiramente de um único país e uma empresa global quer ter a maioria do conhecimento e da tecnologia no local das suas necessidades. E é isto o que nós estamos trazendo para a América do Sul, Ásia, Europa e para os Estados Unidos. Por que não se pode fazer aqui? E é isso que estamos fazendo. |