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Faz alguns anos que a humanidade está utilizando recursos naturais numa proporção maior que a capacidade da natureza tem de recuperá-los. As consequências dessa exploração descontrolada pode se revelar de várias formas, dentre elas, na escassez de alguns bens, como água doce; no efeito estufa, que aumenta a temperatura do planeta; e nas catástrofes ambientais.
Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2050 o mundo terá 9 bilhões de habitantes. No atual ritmo de devastação, as futuras gerações serão prejudicadas pelas ações dos povos atuais, pois disporão de menos recursos naturais per capta.
Por outro lado, para gerar renda e condições de vida para as 6 bilhões de pessoas que habitam a Terra hoje em dia, é imprescindível a existência de empresas. Como todas elas “agridem” o meio ambiente em maior ou menor intensidade, dependendo da atividade – no consumo de água, energia elétrica, papel, plástico..., o grande desafio é procurar o equilíbrio. Esse ponto chama-se sustentabilidade. Uma organização sustentável é economicamente viável, socialmente correta e ambientalmente responsável.
Sustentabilidade não é um modismo corporativo, nem um chavão social. Nasceu fruto da conscientização e tem se fortalecido como um fator de pressão que leva à sobrevivência financeira das empresas.
Recentemente, por exemplo, um grande produtor de soja do Mato Grosso levou um susto. De uma hora para outra, diversos países da Europa recusaram a comprar seu produto porque seus métodos de trabalho foram considerados ambientalmente incorretos: suas terras não têm reservas legais suficientes para a compensação do desequilíbrio ecológico que ele promove com centenas de hectares de uma monocultura.
Na esperança de recuperar o mercado perdido, o fazendeiro agora se prepara para se adequar às exigências adotando práticas corretas de manejo do solo. Ele prometeu, inclusive, comprar uma grande área de terra, a qual destinará exclusivamente para reserva florestal. É uma forma de compensar a destruição.
Também na Europa vem aumentando a “vigilância” sobre a indústria. O mercado consumidor está crescendo e as feiras específicas de produtos ambientalmente corretos atraem cada vez mais público.
Simultaneamente cresce a pressão sobre produtos, serviços e comportamentos ambientalmente inadequados. Diversas organizações não governamentais (ONGs) fazem denúncias e cobram providências e reparação das empresas e entidades públicas. A empresa norte-americana dona da plataforma de petróleo que explodiu e afundou no Golfo do México no final de abril, se apressou em revelar publicamente que assumiria todos os custos pela retirada do óleo do oceano e que a limpeza seria realizada o mais rápido possível.
Estamos, ainda, no período de transição. Vez por outra surge pessoa ou empresa “descuidada”, praticando atos inadequados sem punição exemplar. Mas, uma corporação que pensa no futuro não pode apostar na sorte para não ser flagrada ou não ser punida.
O correto é incluir a sustentabilidade no cotidiano e começar a praticá-la desde já, aos poucos, até que se torne algo intrínseco à sua própria existência, de seus proprietários e funcionários. Afinal, assim como na saúde ou até na manutenção preventiva dos veículos, também na sustentabilidade a prevenção custa menos que a correção. A conta da insustentabilidade pode sair alta, como foi a do fazendeiro citado acima. A maneira de se preparar para tornar a empresa sustentável será apresentada na próxima edição da Mercado Automotivo. |