Edição 188 - Opinião
 
Informação e Tomada de Decisão
   
  Marcelo Gabriel
  Marcelo Gabriel é gerente de Marketing da divisão Mercado de Reposição da ArvinMeritor

Você já parou para pensar na quantidade de decisões que tomamos por dia? E na quantidade de informações que recebemos diariamente? Somos estimulados por informações e cobrados por decisões. O problema reside em saber avaliar esta massa de informações para tomar a decisão mais acertada e partirmos para as decisões subsequentes.

Vivendo em grandes cidades, a tomada de decisão assume um papel preponderante e que pode transformar um caminho de 15 minutos em um congestionamento de 2 horas, caso não tenhamos obtido as informações sobre as condições do trânsito antes de sair de casa ou do escritório.

Toda decisão envolve uma escolha e toda escolha é a renúncia de uma ou várias opções. Lembro me de um caso que escutei há mais de 20 anos e que contava justamente sobre o valor das informações para a tomada de decisão, que era mais ou menos assim: O exército brasileiro foi realizar exercícios conjuntos com o exército norte-americano e para alinhar os canhões o exército brasileiro deu três tiros e demorou 45 minutos. Já o exército norte-americano deu 15 tiros e em 8 minutos estava com os canhões alinhados.

Pensando no sucesso em uma manobra militar, quem seria mais bem sucedido, o exército brasileiro que gastou menos tiros ou o exército norte-americano que estava pronto em menos de um quinto do tempo?

O sucesso ou o fracasso de uma empresa também passa pela qualidade das informações que ela tem disponível no momento de uma tomada de decisão. A qualidade das informações é a base de qualquer decisão, uma informação é o agrupamento sistêmico e coerente de dados, dados soltos, descontextualizados, apenas atrapalham a tomada de uma decisão.

Costumo manter na minha gaveta alguns dados, desses de jogar mesmo, e sempre que uma reunião é chamada de última hora levo os dados no bolso. Na hora em que começam a perguntar pelos dados, digo que estão comigo e, para demonstrar o ridículo da situação, tiro do bolso os dados (de tamanhos diferentes) e coloco os dados na mesa.

Piadas à parte, o que realmente importa numa empresa (seja ela de qualquer tamanho) é a coleta e a manutenção sistemática de dados que possam ser transformados em informações para a tomada de uma decisão. Um exemplo seria o consumo mensal de combustível (dado disponível no sítio do Sindicato da Indústria de Combustíveis) ou ainda a passagem de veículos pelos pedágios das rodovias concessionadas (também disponível no sítio das Agências Reguladoras), estes dados isoladamente não dizem nada, mas combinados servem para informar o movimento do transporte num determinado mês.

A coleta sistemática desses indicadores, em base regular, combinada com o cruzamento de outros indicadores (como a venda mensal de determinado produto) serve para a tomada de decisões mais acertadas sobre disponibilidade de estoque, programação de produção, compra de peças para frotas, etc.

Entretanto, o excesso de informações às vezes mais atrapalha do que ajuda. Conheço empresas em nosso setor que têm à disposição uma infinidade de informações e que no fim das contas não conseguem ter um processo decisório assertivo, pois sempre querem colocar mais informações, transformando qualquer tomada de decisão em um desenrolar contínuo de fatos, números e datas. Como em todos os aspectos da nossa vida pessoal e profissional, o segredo do sucesso está no equilíbrio, nem tanta informação que nos percamos em números nem pouca informação que nos leve à ausência de um norte. Como disse Sêneca, o filósofo estóico que foi um dos tutores de Nero, “não há vento favorável para quem não sabe aonde vai”.

 
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