Edição 188 - Entrevista
 
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George Luiz Rugitsky, presidente do grupo Freudenberg-Nok Componentes Brasil
 
Daízio Ferreira

George Luiz Rugitsky, presidente do grupo Freudenberg-Nok Componentes Brasil, que atua no aftermarket através da Corteco, explica, com exclusividade à Mercado Automotivo, a razão pela qual faltam produtos no mercado independente de reposição; ele propõe uma parceria sólida com o setor e revela a nova tecnologia que facilitará a vedação de motores.

  George Luiz Rugitsky
  George Luiz Rugitsky
   

Mercado Automotivo – Varejistas reclamam da falta de retentores e juntas para veículos importados e para modelos de montadoras fora do grupo das quatro grandes do Brasil. Os fabricantes de autopeças não se interessam por esse mercado?
George Rugitsky – Esse é um assunto do nosso conhecimento, e para o qual temos dedicado muitos esforços nos últimos meses junto aos clientes. Mas, é importante ressaltar que nosso empenho tem sido no sentido da divulgação e do convencimento do mercado, pois já oferecemos esses produtos.

MA – O senhor acredita na falta de interesse de algum segmento em trabalhar com essas linhas?
GR – Não acredito em falta de interesse. Trata-se, acima de tudo, de uma questão cultural. É mais fácil e até mais prático trabalhar com as linhas líderes de mercado. É o que faz a maioria. Ocorre que, enquanto a atenção se volta sempre para o mesmo ponto comum a todos, perde- se a visão periférica, ou seja, não se percebe o surgimento de nichos de mercado cujo tamanho se assemelha aos líderes.

MA – Mas, como ter a percepção do crescimento de uma demanda e tirar vantagem dela?
GR – Realizando um trabalho sistemático e voltado para as oportunidades. Por exemplo, fazendo estatísticas de pedidos. Se alguém chega a uma loja e pede um produto que ainda não tenha chegado à reposição e a loja não o anota, no dia seguinte outra procura do mesmo produto também cai no vazio. Mas se o lojista registra, vai perceber que a procura tem aumentado de maneira a se tornar um negócio interessante. Esses dados podem ser levados ao distribuidor na forma de pedidos. Todos saem ganhando.

MA – Pode-se deduzir, então, que é a falta de comunicação que está gerando a falta dos produtos citados?
GR – De certa forma, sim. Veja, a Freudenberg é líder no fornecimento desses produtos para as montadoras. Portanto, sabemos que são mercados crescentes, pois já se tornaram grandes como produtos originais há alguns anos. E nós temos como disponibilizá-los à reposição a qualquer momento. Agora, nossos esforços se concentram em estimular a mudança de filosofia, da ampliação da visão empresarial para enxergar esses novos e grandes nichos.

MA – O senhor teme que lojistas ou distribuidores possam importar esses produtos da China?
GR – Temos acompanhado a China de perto, pois a Freudenberg tem seis fábricas lá. O que tenho a dizer é que as empresas de primeira linha trabalham a todo vapor para atender o mercado local, que cresce a taxas impressionantes, e quase não podem exportar. Assim, é preciso ter muito cuidado para não trazer produtos de qualidade duvidosa. Vedação parece uma coisa simples, mas não é. A Freudenberg tem tradição de 160 anos, é uma empresa sólida, tem compromissos atuais e de longo prazo. Quando os concorrentes se aproximam do estágio dos nossos produtos, já estamos lançando uma nova geração. No mais, em caso de produtos importados, é preciso pensar não somente na venda, mas na garantia. Nós investimos no produto e na qualificação do mercado.

MA – A propósito, o que a Freudenberg tem feito para melhorar os conhecimentos técnicos dos profissionais da reposição independente?
GR – Para citar dados somente de 2010 podemos dizer que até o mês de dezembro teremos realizado mais de 200 palestras técnicas com distribuidores, varejistas e aplicadores. Cada uma delas conta com dezenas de participantes.
Há, também, o projeto com os frotistas, para os quais temos programa de qualificação. Assim, todos os anos milhares de profissionais têm oportunidade de aprender e de reciclar conhecimentos acerca da aplicação e de identificação de problemas técnicos.

MA – Quais são as exigências para a participação nesses programas?
GR – Queremos é fazer uma parceria sólida com o mercado. A Freudenberg investe milhões em desenvolvimento de produtos, em novas tecnologias, e tudo isso é repassado aos profissionais da reposição independente.
Por outro lado, desejamos uma parceria consistente, que não seja baseada somente no preço, mas, no conjunto de benefícios.

MA – A tecnologia embarcada não exigirá equipamentos de diagnóstico para identificação de falhas?
GR – Futuramente, sim. Imagine uma junta com circuito impresso ligando todos os itens do motor. O gerenciamento do motor está junto ao retentor. Seguindo a lógica, essa tecnologia exigirá equipamento de diagnóstico.

MA – O senhor acredita que será um empecilho para os profissionais de reparação lidar com esses produtos?
GR – Diversas grandes empresas estão dedicadas ao desenvolvimento desses equipamentos cujas vendas serão livres. Portanto, o empresário da reparação terá, sim, de fazer investimentos, mas, com isso, terá acesso às informações e tecnologias.

MA – Na área de vedação, qual é a tecnologia que a Freudenberg lançará brevemente?
GR – A nossa linha de produtos especiais, na Europa, já está aplicando Plug & Seal. São conectores tubulares revestidos de borracha que podem ser aplicados em pontos de união de galerias de ar, água e óleo. Mesmo sob altas pressões, garantem conexão segura e sem vazamentos, além de compensar desalinhamentos entre os canais e variações de tolerância. O Plug & Seal substitui abraçadeiras e o-rings, com importantes benefícios para montadoras e veículos.

 
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