| |
|
| |
|
| |
|
| |
 |
| |
|
| |
 |
| |
|
No início de maio o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o Brasil fará parte do grupo de países que emprestará dinheiro para socorrer a Grécia. A ação é coordenada pelo Fundo Monetário Internacional e Pela União Europeia, e o País participará com US$ 286 milhões. A quantia pode não ser elevada, mas a informação é emblemática por revelar mais um envolvimento do Brasil em uma demanda internacional. Essa participação tem se tornado recorrente em ações diversificadas.
Seja com objetivo pacificador, como no caso da “ocupação” do Haiti, a pedido da Organização das Nações Unidas (ONU); em questões de interesse estratégico, através da intromissão nas eleições de Honduras, que envolveu a Organização dos Estados Americanos (OEA); ou nas relações bilaterais, nas quais Venezuela e Iraque são exemplos.
Como em relações internacionais nada é por acaso, por trás dessa mudança no direcionamento da diplomacia está a força do novo status econômico projetado para o País. Já faz tempo que se sabe que, no longo prazo, as economias das nações em desenvolvimento tendem a crescer em ritmo mais acelerado em relação àquelas já consolidadas e consideradas ricas. Agora, porém, os prazos para a troca de posições no ranking são conhecidas.
Estudo da PricewaterhouseCoopers, divulgado no mês de janeiro em Londres (Inglaterra) revela que em 2030 o Brasil será a quinta maior economia do mundo, à frente de atuais integrantes do G-7, como França, Reino Unido e Alemanha. Essa análise vem ao encontro de documento do governo inglês, publicado nos anos 90, o qual conclui que a economia brasileira será maior que a da Inglaterra em 2020.
Segundo o relatório da empresa de consultoria, assinado pelo diretor de Macroeconomia, John Hawksworth, em 2030 as projeções sugerem que “o top 10 global do ranking de PIB terá a liderança da China, seguida de Estados Unidos, Índia, Japão, Brasil, Rússia, Alemanha, México, França e Reino Unido”.
Partindo da certeza de que para se encaixar no cenário delineado para os próximos 20 anos o Brasil continuará com taxas de crescimento superiores aos dos atuais ricos, é razoável esperar que os olhos dos grandes investidores mundiais estejam voltados para a faixa abaixo da linha do Equador e que o nosso país seja o destinatário de gordas fatias do capital internacional. Conheça alguns dos projetos que nos próximos anos injetarão mais de R$ 3 trilhões no País e alterarão a infraestrutura e a renda per capta do brasileiro.
PAC: R$ 2 trilhões
Somente no PAC o valor supera R$ 2,2 trilhões! Segundo informações da Casa Civil do governo federal, na primeira edição do programa, lançada em janeiro de 2007, se investiu R$ 638 bilhões, que deverão ser pagos até o final deste ano.
O lançamento do PAC II apresentou proposta de R$ 1,59 trilhão de investimentos, distribuídos na seguinte proporção: R$ 958,9 bilhões de 2011 a 2014 e R$ 631,6 bilhões nos anos seguintes. As obras serão públicas e em parceria com a iniciativa privada, em estrutura urbana e rodovias, telecomunicações, dentre outras.
Copa do Mundo: R$ 33 bilhões
Enquanto a seleção brasileira treina para estrear na Copa do Mundo de Futebol na África do Sul (no próximo dia 15 junho), os responsáveis pela realização da Copa no Brasil em 2014 já começam a correr para cumprir o cronograma da infraestrutura do evento, que abrange tecnologia da informação, sistemas de transportes, segurança, rede hoteleira, além de estádios para treinos e jogos.
O leque de compromissos assumidos por um país sede junto à Fifa (a realizadora) é maior do que a maioria do público conhece. Por exemplo, ainda em 2010 o governo federal criará um programa de guarda costeira e fluvial que cuidará do policiamento da costa marítima e dos principais rios do País. A previsão é que sejam investidos R$ 60 milhões no programa que se tornará permanente.
O segmento aeroportuário receberá grandes investimentos. Estão programados aportes de R$ 5,34 bilhões nos 16 aeroportos das 12 cidades sede para a Copa do Mundo de 2014. Para propiciar uma melhora geral e permanente no sistema, o governo promete investir mais R$ 1,1 bilhão em outros aeroportos do País, elevando o total nesse segmento para R$ 6, 44 bilhões.
Montante semelhante a esse – cerca de R$ 6 bilhões – será aplicado na construção e reforma de estádios. No total, somente em infraestrutura os investimentos projetados chegam a R$ 33 bilhões!
Segundo estimativa do Ministério do Esporte, a Copa do Mundo injetará na economia cerca de R$ 183 bilhões, no período de 2010 até 2019, entre impactos diretos – investimentos em infraestrutura, turismo, empregos, impostos, consumo – e indiretos, que é a recirculação de todo esse dinheiro no País.
Pelos cálculos de uma empresa de consultoria contratada pelo Ministério do Esporte, o evento vai gerar R$ 17 bilhões em arrecadação de tributos e nada menos que 700 mil empregos entre temporários e permanentes.
Olimpíadas: R$ 20 bilhões
A priori, somente a cidade do Rio de Janeiro, sede dos jogos Olímpicos de 2016, será beneficiada com os polpudos investimentos em centros de competição, alojamentos e obras de infraestrura específica – boa parte será construída para a Copa do Mundo de 2014, pois lá será realizada a partida final do evento.
O custo total do projeto está estimado em R$ 20 bilhões em verbas públicas dos três governos envolvidos – federal, estadual e municipal. Levando-se em conta que empresas de todos os Estados poderão participar das licitações para a realização das obras, parte do dinheiro acabará em vários Estados. Até o momento não foram divulgados dados à respeito do número de vagas de trabalho que serão criadas. Extraoficialmente fala-se em até 100 mil empregos. No que se refere ao retorno do capital, os organizadores estimam que cada R$ 1 investido vai gerar R$ 2,1 em arrecadação.
Pré-sal: R$ 1 trilhão
Um verdadeiro tesouro encontra-se a alguns quilômetros de profundidade no litoral das regiões Sudeste e Sul do Brasil. Trata-se de uma reserva de óleo e gás localizada numa porção do subsolo sob uma camada de sal situada abaixo do leito do mar (daí surgiu a denominação de petróleo pré-sal).
A faixa da reserva brasileira mede 800km de extensão – abrangendo os Estados de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo – e 200km de largura e pode conter até 1,6 trilhão de metros cúbicos de gás e óleo.
Caso as estimativas se tornem realidade, o nosso país entrará para o seleto grupo daqueles que contêm as maiores reservas de petróleo do mundo, ocupando a sexta posição no ranking – atrás apenas de Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes.
Os investimentos para extrair essa fortuna não serão nada modestos. A Petrobras calculou em US$ 600 bilhões (aproximadamente 1,1 trilhão de reais). O faturamento decorrente da exploração será tão grande que o governo até teme que ocorra por aqui a chamada “doença holandesa”, quando o excessivo ingresso de moeda estrangeira gera forte apreciação cambial, enfraquecendo o setor industrial.
Atualmente encontra-se em discussão, no Congresso Nacional, a forma como o dinheiro será partilhado. Um dos projetos prevê a distribuição entre todos os municípios brasileiros.
Setor automotivo: R$ 20 bilhões
O setor automotivo não está alheio ao crescimento do Brasil.
Para a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o mercado interno vem crescendo gradualmente, e de forma sustentada, desde 2005, “quando saímos de 1,71 milhão de unidades comercializadas para 3,14 milhões em 2009”.
Se economicamente o País ocupará o quinto posto do mundo em 2030, no setor automotivo já chegou lá. No ano passado, tornou-se o 5º maior mercado automobilístico e o 6º maior produtor em nível mundial. A expectativa para 2010 é mercado interno total de 3,40 milhões e produção de 3,39 milhões.
A expansão não atingiu o limite. A Anfavea informa que, “neste ano e nos próximos, a meta é elevar gradualmente nossa posição em ambos os rankings, como também dar um salto qualitativo em termos de exportações”.
Com a esperada melhoria na oferta de empregos e no nível de renda da população, a expectativa é que o mercado interno brasileiro continue a crescer. “Tem potencial para tanto: macroeconomia saudável, população, aumento da renda e do emprego, frota ainda modesta em termos mundiais. Ao lado do aumento das vendas temos, por isso mesmo, pelos ganhos de escala que geram a possibilidade de, em caráter permanente, graças a investimentos, inovar tecnologicamente os produtos.”
O aumento do poder aquisitivo do consumidor virá acompanhado de sua exigência por tecnologias que elevem o conforto e a segurança dos usuários dos carros. Assim, itens presentes somente nos veículos top de linha, ou que hoje são comercializados como opcionais, passarão a ser de série.
Devido a esse cenário positivo, fabricantes de veículos instalados no Brasil já revelaram investimentos polpudos para os próximos três anos. “Entre 2010 e 2012 as montadoras investirão US$ 11,2 bilhões no Brasil, em capacidade de produção, tecnologias e novos produtos”, informou a Anfavea. Naturalmente, as decisões não foram tomadas recentemente.
“Tudo o que se faz na indústria automobilística em termos de investimentos visa ao médio e longo prazos. Os termos de maturação tecnológica dependem de volumes constantes e fortes investimentos, de tal forma que na indústria há os profissionais que cuidam do hoje e os profissionais que pensam nos veículos de amanhã, seja em design, em capacidade, em economia de combustíveis, em termos de produção ambientalmente cada vez mais correta, como se dá também no caso dos produtos.”
A Anfavea está convicta de que o Brasil tem potencial para crescer, dentre outros motivos, pelo fato da relação de carro por habitante ser de um veículo para cada sete pessoas. Pelo conjunto de fatores positivos, o Brasil não é País do futuro, já é de hoje também. |