Edição 187 - Matéria Especial
 
Valores Fundamentais
Sustentabilidade é um conjunto de ações que visa garantir o bem-estar
da população do mundo atual sem comprometer as gerações futuras
 
Redação
 

 

  Beatriz Pacheco
  Beatriz Pacheco, consultora especializada em sustentabilidade
   

Em 1987, governantes, líderes empresariais, membros da Organização das Nações Unidas (ONU) e representantes da sociedade civil se reuniram para analisar a escassez de recursos naturais no planeta.

Ficou evidente que, de fato, o efeito destrutivo de certas práticas sobre o meio ambiente já causa prejuízos para a humanidade atualmente e compromete a vida futura na Terra.

Ao mesmo tempo sabe-se que, para oferecer alimentos, água, saúde e outras condições necessárias à sobrevivência dos mais de 6 bilhões de habitantes da Terra, é preciso utilizar os recursos naturais. Encontrar o equilíbrio entre preservação e consumo é o grande desafio.

Desse encontro nasceu o conceito de sustentabilidade. Ela reconhece que, para a população atual continuar existindo, as empresas têm de gerar empregos e renda, além de benefícios sociais. Todas também podem utilizar recursos ambientais (em maior ou menor grau, dependendo do ramo de atividade). Contudo, essa exploração tem de ser racional, no limite da necessidade para o funcionamento da empresa, de maneira a não prejudicar a sobrevivência das próximas gerações.

“Empresa sustentável é aquela que tem, ao mesmo tempo, uma boa gestão dos três pilares: econômico, social e ambiental. Ela tem que ser saudável economicamente, deve proteger o meio ambiente e contribuir para o desenvolvimento da sociedade”, confirma a consultora Beatriz Pacheco, especializada em sustentabilidade.

Sob essa ótica, a organização que consegue êxito apenas econômico não pode ser considerada eficiente. “Uma empresa não sustentável busca resultados no curto prazo a qualquer custo, poluindo o meio ambiente e prejudicando os públicos com os quais ela se relaciona: funcionários, clientes e fornecedores. Ela está fadada ao fracasso, pois a sociedade está ficando cada vez mais consciente e rigorosa”, enfatiza a consultora. Portanto, pensar em sustentabilidade não é abrir mão do lucro, mas integrar as questões sociais e ambientais na tomada de decisão.

Engana-se, porém, quem deduzir que a sustentabilidade seja viável somente nas grandes empresas. Segundo Beatriz, qualquer empresário pode gerenciar seu negócio considerando os aspectos sociais e ambientais.

“Basta se perguntar: Como eu posso eliminar qualquer impacto negativo à natureza, ou à sociedade, e como eu posso ajudar na preservação do meio ambiente e no desenvolvimento social, através do meu negócio? Dar condições adequadas de trabalho aos operários, investir no desenvolvimento e na carreira deles, tratar com transparência e respeito os clientes, garantir que os fornecedores estejam alinhados com os seus valores e evitar resíduos no meio ambiente já é um bom começo.”

Por onde começar
A primeira coisa a se fazer é cumprir rigorosamente a lei. A empresa pode identificar quais impactos negativos gera na sociedade e ao ecossistema e tentar mitigá-los. Ao mesmo tempo, deve se perguntar: O que posso fazer de maneira diferente e melhor, inovar, para preservar o meio ambiente, melhorar a minha relação com meus funcionários, clientes e fornecedores?

“Um bom começo é identificar quais são os recursos naturais consumidos e resíduos gerados por sua operação. Em seguida, a empresa deve estabelecer metas de redução e buscar formas inovadoras de operacionalizar o seu negócio, minimizando seu impacto ambiental. Muitas empresas formam grupos de trabalho para liderar esse assunto. Envolver os funcionários sempre dá bons resultados.”

O fundamental para uma empresa sustentável é executar o seu papel, porém, recomenda-se não esquecer dos públicos com os quais se relaciona, dentre eles clientes e fornecedores. Já existem fábricas de autopeças que realizam auditorias nos fornecedores e descarta aqueles que não preservam o meio ambiente. (Nas próximas edições a Mercado Automotivo mostrará exemplos de empresas sustentáveis.)

Beatriz Pacheco adverte, no entanto, para a necessidade de “evitar campanhas marqueteiras pontuais ou meras ações de filantropia”. Sustentabilidade não é modismo e nem deve servir como diferencial competitivo. Trata-se de uma prática necessária, cujo objetivo é preservar todas as espécies de vida do planeta, sejam vegetais ou animais, incluindo-se os seres humanos. Embora os maiores benefícios sejam para o ecossistema, as empresas também ganham os efeitos positivos de suas ações.

“As empresas que investem em sustentabilidade evidenciam maior capacidade de atrair e reter talentos; conseguem atrair e fidelizar clientes, conseguem minimizar riscos e eventuais multas decorrentes de passivos ambientais ou trabalhistas.

Por isso, apresentam melhores resultados econômicos e são mais atrativas para investidores e acionistas”, ressalta Beatriz.

Sustentabilidade não é um programa, mas um processo contínuo e definitivo e renovável. Há sempre algo a ser feito; a perfeição está longe de ser alcançada. Segundo a consultora, o movimento pela sustentabilidade nas empresas acompanha o movimento de desenvolvimento e ampliação da consciência das pessoas e da sociedade.

“Buscamos um modelo de mercado e de sociedade em que haja harmonia entre a natureza e a economia e, infelizmente, ainda há um grande caminho a trilhar e muito a se fazer.”

Muitas empresas desejam apresentar suas ações sustentáveis e lutam por uma certificação específica. “A questão da certificação tem sido muito debatida.

Ainda vemos muitas empresas se autodefinindo como sustentável ou usando a sustentabilidade como mais uma jogada de marketing. Está se tornando cada vez mais importante separar o joio do trigo: quem de fato faz de quem só fala que faz.

A certificação feita por instituições neutras é um caminho para isso”, esclarece Beatriz Pacheco. A Revista Mercado Automotivo dará sua contribuição ao segmento criando uma seção fixa sobre sustentabilidade.

Será um espaço para apresentação de cases, sugestões e debates acerca de um tema fundamental para a vida.

Quem desejar se aprofundar sobre o tema poderá encontrar mais informações em organizações da sociedade civil, como, por exemplo, o Instituto Ethos: www.ethos.org.br.

 
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