Dia 26 de janeiro o empresário Renato Gianinni assumiu a presidência da Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças (Andap) e do Sindicato do Comércio Atacadista, Importador, Exportador e Distribuidor de Peças, Rolamentos, Acessórios e Componentes para Indústria e para Veículos no Estado de São Paulo (Sicap). Em entrevista exclusiva à Mercado Automotivo ele fala sobre prioridades de sua gestão e de temas relevantes para o mercado de distribuição.
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Renato Gianinni |
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Mercado Automotivo – Renato Gianinni, quais as prioridades de sua gestão à frente da Andap e do Sicap?
Renato Gianinni – As prioridades estão baseadas em ações voltadas para o desenvolvimento do setor de distribuição de peças e acessórios, tanto automotivo como industrial, trabalhando pela sua certificação com objetivo de criar padrões de qualidade e coibir a pirataria e a falsificação no setor, além de acompanhar de perto a retomada da discussão sobre a implantação da Inspeção Técnica Veicular no Brasil. Com a unificação das diretorias da Andap e do Sicap, haverá maior agilidade na tomada de decisões, buscando melhorias e benefícios para as empresas representadas. Outra prioridade é estreitar ainda mais as relações entre todos os elos da cadeia da reposição criando uma identidade uniforme para o setor, fortalecendo sua representatividade.
MA – Qual é o cronograma de implementação dessas medidas?
RG – Estamos em fase de planejamento das atividades, definindo metas e objetivos para 2010, bem como cuidando da unificação administrativa das duas entidades.
MA – Como se encontra a média da situação financeira das empresas do setor?
RG – Isso é muito relativo e uma questão muito particular. De forma geral, as empresas de distribuição se encontram com estoques elevados, com créditos de ICMS a recuperar, um giro lento das mercadorias e ainda sob o efeito da substituição tributária e do Sped (Sistema Público de Escrituração Digital). Acreditamos que, superada esta fase de implantação, estas medidas serão benéficas para o setor e para a economia, pois haverá uma concorrência saudável entre as empresas.
MA – Mas, até que ponto a crise econômica afetou o desempenho do setor em 2009?
RG – Como o Governo agiu rapidamente com medidas de incentivo ao crédito, a crise não afetou tanto a economia do País. Especificamente para o setor de distribuição de autopeças, foi um ano difícil por conta de uma série de mudanças que envolveram custos e adaptações por parte das empresas. Dentre estas dificuldades podemos citar: a substituição tributária com o recolhimento antecipado do ICMS sobre o estoque, a implantação da nota fiscal eletrônica – que exigiu investimento em equipamentos e softwares –, bem como a restrição da circulação de caminhões em determinadas áreas da capital, exigindo a contratação de profissionais extras para receber as mercadorias em horários diferenciados, que demandam cuidado adicional com a segurança, acarretando aumento nos custos. A complexidade tributária em vigor é um empecilho para o crescimento, pois, além de um alto custo de implantação, cada Estado tem sua própria legislação.
MA – As montadoras e concessionárias são ameaças ao mercado da reposição independente?
RG – Não vejo desta forma. Acho que o setor de reposição complementa e é necessário para as montadoras, uma vez que as mesmas não têm capilaridade para atender plenamente a manutenção da frota circulante que existe no País. Claro que existe concorrência, mas o mercado é bem mais abrangente. O setor da reposição complementa e preenche essa lacuna com o know-how que adquiriu ao longo da história da indústria automobilística. Uma coisa está ligada à outra. É importante lembrar que o setor da reposição está presente em todos os municípios deste país para dar assistência e garantir que os veículos continuem rodando.
MA – O que falta para reforçar a imagem da cadeia independente: marketing, ações políticas ou outras?
RG – Mais do que ações de marketing, é necessário fortalecer o relacionamento entre todos os elos da cadeia.
O Sicap e a Andap têm como meta estreitar ainda mais as relações com as outras entidades que representam o setor, sendo eleito o GMA como fórum para promover essa integração.
MA – A propósito, como o senhor avalia o trabalho e os resultados obtidos pelo GMA até o momento?
RG – O trabalho do GMA é sério e tem ações focadas no desenvolvimento do setor da reposição automotiva.
Seus representantes estão comprometidos com essa causa, altamente capacitados e profundos conhecedores do setor. Os temas discutidos e abordados visam fortalecer todos os elos da cadeia. Além disso, o GMA também identifica os problemas e apresenta soluções.
MA – Quais são as suas sugestões para aumentar a conscientização do consumidor acerca da importância da manutenção preventiva?
RG – Uma das formas é a conscientização através de campanhas como o programa Carro 100% / Caminhão 100% para atingir a população.
Contudo, é um trabalho que deve ser feito a longo prazo, pois tem como objetivo mudar o comportamento do motorista. A inspeção veicular já está implantada em São Paulo, onde saímos da fase de conscientização para a obrigação, assim como já acontece em mais de 50 países com resultados relevantes tanto na diminuição expressiva de mortes no trânsito como na redução da poluição. Precisamos trabalhar para que estas medidas sejam implantadas em todos os Estados.
MA – Quais são suas perspectivas para o mercado de peças de reposição em 2010?
RG – A estimativa é que o setor apresente melhor desempenho em relação a 2009, que não foi um bom ano para o segmento.
Esta expectativa favorável decorre da estimativa de crescimento do PIB, do aquecimento do mercado, bem como da ampliação da inspeção ambiental para toda a frota de veículos que circula na cidade de São Paulo. Em 2011, a medida será estendida para Estados com frota acima de 3 milhões de veículos, o que obrigará o motorista a fazer a manutenção do seu veículo com mais frequência. Outro ponto importante é o aumento da oferta de crédito ao empresário, mas o governo não pode perder o controle dos juros e da inflação.
MA – O senhor acha que as autoridades públicas estão mais conscientes da importância desse segmento para o consumidor e para a própria economia?
RG – Acho que sim. Uma vez que o programa Carro 100% / Caminhão 100% tem ganhado destaque, o setor também fica em evidência. A campanha tem o apoio de vários órgãos do Governo, como CET, Denatran e Ministério das Cidades. Exemplo de que o setor começa a ser visto de forma mais representativa foi o convite do vice-presidente da Comissão de Viação e Transporte da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Leal, para o GMA participar da audiência pública e também fazer uma apresentação sobre a importância da medida para salvar vidas no trânsito. Ainda há muito para fazer, mas o setor começa a ganhar espaços importantes.
MA – Este ano tem eleições para presidente e para o Congresso Nacional. A Andap e o Sicap estão fazendo ações no sentido de eleger pessoas comprometidas em lutar pelas causas do setor?
RG – Tanto o Sicap como a Andap são entidades que não exercem atividades político partidárias.
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