Edição 185 - Pesados
 
Melhor do que o Previsto
Mercado de caminhões e ônibus fecha 2009 com vendas 9% e 16% menores, respectivamente, que em 2008, mesmo assim, indústria comemora o bom desempenho, já que as previsões iniciais mostravam um panorama bem mais negro.
Com a continuidade de programas que reduzem o IPI e mantêm os juros do Finame PSI e do Procaminhoneiro baixos,
as montadoras esperam vender 10% a mais este ano
 
Texto: Patrícia Larsen e Cléa Martins
 
  Modelo Agrale caçamba 8500
  Modelo Agrale caçamba 8500
   
  Modelo Volvo VM 260
  Modelo Volvo VM 260
   
  Modelo Ford Transit
  Modelo Ford Transit

Parece estranho, mas mesmo tendo fechado 2009 com índices menores de vendas a indústria nacional de veículos pesados está satisfeita e bem otimista. Isso porque o ano que começou com quedas bastante acentuadas nas vendas se recuperou e foi finalizado com perdas não tão expressivas. Para se ter uma ideia do que aconteceu, em janeiro daquele ano, segundo dados da Anfavea – Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores –, as vendas despencaram em média mais de 22% em relação ao primeiro mês de 2008. Daí, fechar o ano com -9% nas vendas de caminhões e -14% no número comercializado de ônibus pareceu fichinha para as montadoras.

Parte da recuperação da indústria de pesados se deve à consolidação da economia nacional e ao aumento da produção industrial e agrícola do País. Além disso, os setores de construção e mineração ajudaram a impulsionar o setor de transporte. Assim, de janeiro a dezembro de 2009 foram vendidos por aqui 114.286 caminhões e 23.877 ônibus, contra 126.777 e 27.948, respectivamente, em 2008. Outro ponto a favor do mercado em 2009 foi dado pelo Governo, com a redução do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados –, que diminuiu em torno de 5% o valor total do caminhão, e a redução de até 67% das taxas de juros do Finame PSI e do Procaminhoneiro. A boa notícia é que essas medidas foram prorrogadas até o meio de 2010, o que deve incentivar ainda mais a venda de veículos pesados. Na Ford, por exemplo, onde 95% dos financiamentos foram feitos com crédito do Finame, a expectativa de crescimento para esse ano é de 10%: “Achamos que as categorias pesadas e também de transporte urbano serão bastante beneficiadas neste ano, já que setores como o minerador e construtor devem crescer, assim como as restrições de circulação nas cidades”, explica Cláudio Terciano, gerente de Vendas e Marketing da Ford.

Ricardo Alouche, diretor de Vendas, Marketing e Pósvendas da Man na América Latina, também acredita na retomada do mercado em 2010. A montadora fechou o ano passado com 41.068 caminhões e ônibus vendidos no Brasil, o que significou uma queda de 8% em relação a 2008, índice considerado muito bom, já que no início do ano passado a empresa esperava uma queda de 18%. O Finame foi responsável por mais de 80% de suas vendas. “A recuperação do mercado está totalmente alavancada pelo novo Finame PSI, que é o melhor programa já lançado pelo Governo até hoje”, afirma.

Na Scania, onde as vendas em 2009 foram em média apenas 4% menores, comparando 2008 e 2009, com 9.097 e 8.831 unidades comercializadas respectivamente, a expectativa para 2010 também é positiva e o foco continua, pelo visto, voltado ao mercado nacional. “Tínhamos problema de abastecimento gerado pelo nível elevado de exportações, mas com a queda do mercado externo, conseguimos atender mais satisfatoriamente a demanda interna”, diz Roberto Leoncini, diretor de Vendas da montadora.

Novidades
Confira os veículos que devem ser destaque nas concessionárias este ano:
Man – Caminhões vocacionais
Iveco – Vertis, primeiro caminhão Iveco 100% produzido no Brasil. Segmento médio, de 9 a 13 toneladas
Ford – Novo Ford Transit chassi-cabine
Mercedes-Benz – Actros 8X4
Agrale – Modelos 8500 com motor eletrônico MWM Sprint 4.08 TCE e o 13000 Caçamba 4X2 e 6X2
Volvo – FH440 6x2 e VM 260
Scania – R 420

 
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