Edição 184 - IQA
 
Ser Bom Mecânico Vai Além da Experiência
   
  José Palacio
  José Palacio é auditor do IQA - Instituto da Qualidade Automotiva (jose.palacio@iqa.org.br)

O bom mecânico não é apenas aquele que tem longos anos de experiência com reparo automotivo e sabe manejar as ferramentas de sua profissão com grande habilidade.

Claro que isso faz toda diferença, mas um reparo eficiente requer do mecânico três fatores: conhecimento profundo do automóvel, dados do reparo concedidos pelo fabricante do veículo e informações técnicas dos equipamentos, das ferramentas e autopeças.

Para uma simples troca de farol, por exemplo, existem critérios de regulagem, recomendados pelo fabricante que devem ser respeitados. Além disso, reparo no sistema de freios, transmissão, motor, injeção eletrônica e assim por diante devem seguir também as especificações do que chamamos de “Manual de Reparo” do fabricante. Assim como os usuários de veículos têm o “Manual do proprietário”, as oficinas também têm seu similar.

E como conseguir estas informações?
Geralmente, estes guias podem ser obtidos nos órgãos de classe, como o Sindirepa (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios) e o Sindimotor (Sindicato de Remanufaturamento, Recondicionamento e/ou Retífica de Motores e seus Agregados e Periféricos).

Agora, entramos em uma outra etapa, que é o tipo de autopeça a usar no reparo. Existem as peças de produção original, genuínas ou peças de reposição original e peças de reposição. A norma NBR (Norma Brasileira Regulamentadora) 15.296/2005 regulou o mercado e estabeleceu estes tipos de peças, além de outras. A peça original de produção é aquela que o fabricante de autopeça desenvolve para as montadoras produzirem o veículo. É aplicada diretamente na fabricação do automóvel e, normalmente, encontrada nas concessionárias.

Já a peça genuína é fabricada por um fornecedor da montadora e é vendida no mercado independente. Por fim, temos a peça de reposição, na qual o fabricante não fornece para montadora, mas vende diretamente no mercado. É sempre importante ficar atento se estas peças seguem padrões de qualidade na fabricação.

Mais uma vez, para substituição de peças, é importante consultar o manual de reparo e seguir sempre o torque ideal do parafuso em diferentes situações. Caso contrário, o parafuso pode ficar com aperto abaixo do especificado ocasionando problemas, ou com aperto acima do especificado, podendo acarretar ruptura ou espanamento. Existe uma tabela de torque para cada tipo de veículo e aplicação, ou seja, no motor, bomba d’água, cabeçote etc. Apenas deduzir, pela prática e experiência do mecânico, que o torque xis é o ideal, não significa que seja o correto. São informações técnicas imprescindíveis para o perfeito trabalho e a segurança do cliente.

Uma vez de posse destas informações, quais são os equipamentos e ferramentas que devem ser usados em cada modelo de automóvel? Algumas ferramentas são universais, podem ser utilizadas em qualquer veículo. Mas há também ferramentas que servem apenas para um modelo específico. Então, avalie o ferramental e utilize as ferramentas adequadas no reparo.

Com relação a equipamentos, também há especificações que devem ser seguidas conforme orientação do fabricante, como o instrumento de medição, que deve ser calibrado periodicamente para garantir um bom funcionamento. Para a certificação do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva), é recomendado que esta calibragem seja realizada anualmente.

Tudo isso somado ao conhecimento que o mecânico deve ter de cada modelo de automóvel, funcionamento, características, tecnologias e outros quesitos. Não podemos esquecer também do aperfeiçoamento do profissional, por meio de cursos de reciclagem ou treinamentos.

O profissional deve estar sempre atualizado com as novas técnicas de reparo e tecnologias que chegam ao mercado. Então, atente para estes detalhes se quiser ser um bom mecânico.

 
« Voltar