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Nas manhãs de segunda-feira participo, há oito anos praticamente, do Jornal Gente, da Rede Bandeirantes de Rádio, na companhia dos jornalistas José Paulo de Andrade, Salomão Esper e Joelmir Betting, que são os três profissionais da mídia impressa, rádio e TV mais bem informados do Brasil, sempre em dia com os acontecimentos, especialmente com os problemas da economia. Na última semana de setembro foram propostos alguns temas que eu gostaria de compartilhar com os leitores que têm a paciência de me acompanhar.
As questões na verdade todas convergem para o que costumo chamar de agenda do século 21. Há uma nova revolução industrial em marcha. O desafio principal é desenvolver tecnologias que possam simultaneamente atender ao objetivo de conservação de energia e, de outro, substituir a energia fóssil, altamente poluente, por novas formas de energia limpa.
Os Estados Unidos aumentaram os investimentos em processos que reduzem o consumo de energia por unidade do PIB. Setores industriais altamente poluentes como o de ferro e aço, petroquímica, alumínio e cimento já utilizam processos capazes de economizar 25% do consumo de energia e dramaticamente a liberação de CO2. Do lado da oferta, investem no desenvolvimento de tecnologias para transformar massa (florestas manejáveis, resíduos, etc.) em combustível líquido em condições de competir com os derivados do petróleo.
Muitas pessoas ainda não percebem, mas o Brasil participa dessa revolução e em setores-chave tem posição mais avançada que muitos de seus competidores. Nós partimos na frente em tecnologias para substituir energia fóssil por energia de massa. Temos uma situação privilegiada com o etanol de primeira geração. As pesquisas para a transformação econômica de massa em energia com menor liberação de CO2 avançam rapidamente entre nós e talvez só tenham paralelo com as que se fazem nos Estados Unidos e mais um ou dois países do hemisfério norte.
Creio que o Brasil se preparou para integrar de forma muito efetiva esse novo estágio do desenvolvimento mundial. Estamos na iminência de um novo surto de crescimento em bases sólidas, com uma política fiscal funcionando bem apesar das críticas e uma situação que melhorou razoavelmente na área monetária. As dificuldades para as exportações vão ser superadas, mais cedo ou mais tarde, de forma que a expansão industrial vai se realizar, crescendo mais rapidamente graças à força de seu mercado interno. O Brasil vai se beneficiar do fato que tem uma plataforma produtora extremamente sofisticada que já atingiu um patamar de desenvolvimento tecnológico muito superior ao dos demais países com a nossa renda per capita. E um mercado consumidor interno de uma força insuspeitada, até ser revelada pelas inteligentes políticas públicas no atual governo.
O Brasil tinha uma ameaça permanente de estrangulamento em energia que o pré-sal afastou e vem modernizando aceleradamente a agroindústria e a pecuária, onde a tecnologia alcançou seu estado da arte. Temos, portanto, as duas autonomias que garantem a prosperidade das grandes Nações: a alimentar e a energética e estamos acordando para construir a segurança militar em níveis adequados aos nossos objetivos nacionais.
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