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Edson Campos, presidente da Indebras, incentiva o desenvolvimento de novas tecnologias dentro da empresa |
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Alfredo Bastos Jr., gerente de Marketing da MTE-Thomson, diz que dinamismo é marca registrada nesse mercado |
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Peças asiáticas são maiores ameaças para o mercado, segundo Edson Pedro Furlanetto, diretor de Vendas e Marketing da Kostal |
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Faz pouco mais de 20 anos que os primeiros veículos com injeção eletrônica começaram a chegar ao mercado. Aqui no Brasil, o primeiro carro produzido sem carburador foi o Volkswagen Gol GTI, em janeiro de 1989.
De lá para cá, muita coisa mudou. Os veículos ganharam cada vez mais sensores e suas centrais de comando foram transformadas em verdadeiros processadores, que em alguns casos não deixam nada a dever para alguns computadores tradicionais.
Na trilha dessa evolução, junto com os sensores vieram os medidores, os mais diversos componentes elétricos, como válvulas e bombas de combustível, baterias mais eficientes e toda a sorte de outros dispositivos eletroeletrônicos.
O resultado dessa invasão trouxe para os carros mais eficiência e permitiu a diminuição do consumo de combustível e da emissão de poluentes. Sem falar nos incrementos de conforto, entretenimento e funcionalidade, que ganharam melhorias nunca antes atribuídas a um veículo.
Por trás desse mercado
Embora sejam, na maioria das vezes, os grandes sistemistas e as montadoras de automóveis que mais levam o crédito pelos lançamentos do setor, existe uma indústria gigante de fabricantes de componentes eletroeletrônicos que também é responsável por toda essa evolução sentida pelo setor automotivo.
Os engenheiros da Indebrás, por exemplo, empresa com um portfólio com cerca de 500 itens e que no Brasil atende mais de 80% da frota de veículos circulantes, desenvolveram recentemente um medidor de nível de combustível sem contato que faz a detecção da mistura de combustível em carros flex, o que propicia a melhor calibração do sistema de injeção e que ainda detecta a existência de contaminantes na gasolina ou no álcool. Um produto e tanto, mas que ainda aguarda o interesse das montadoras em utilizá-lo: “Infelizmente, por questão de custo, os fabricantes de carros ainda não estão dispostos a implementar essa solução”, explica Edson Campos, presidente da companhia.
Fazer parte desse setor tão dinâmico exige das empresas que nele atuam o mesmo dinamismo. Para alcançar o sucesso no competitivo mercado dos componentes eletroeletrônicos não é fácil e não se pode dormir no ponto.
“Os avanços principalmente nessa área andam quase que na velocidade da luz e se você não estiver preparado para acompanhar fica muito complicado ser competitivo”, afirma Alfredo Bastos Jr., gerente de Marketing da MTE-Thomson.
Mesmo diante das dificuldades que as empresas brasileiras ainda encontram para investir na criação de novos produtos e depois de vendê-los às montadoras, os entrevistados garantem que se depender deles muita evolução automotiva ainda vem por aí. “Antes mesmo do carro híbrido tomar de vez as ruas, vamos presenciar muita coisa de eletrônica nos veículos como, por exemplo, a massificação da direção e dos freios elétricos”, acredita Bastos.
Desafios
Enquanto aguardam o futuro, esses empresários enfrentam problemas bem comuns, como o embate com os produtos asiáticos, que hoje chegam ao País facilmente e com preços sedutores. “Hoje é muito fácil importar peças e competir no mercado local. O câmbio baixo aliado ao custo Brasil, que enfrentamos, tornam nossos produtos mais caros em relação aos que entram no País. Isso faz com que o mercado nacional tenha muitos produtos importados”, explica Edson Pedro Furlanetto, diretor de Vendas e Marketing da Kostal.
Segundo o executivo, a busca por alternativas tecnológicas e o uso de novas matérias-primas ajudam a compensar as diferenças de preços desses novos concorrentes. Por isso é tão vital que as empresas não deixem de investir nunca em pesquisa e desenvolvimento. O fim dos desperdícios, ainda comuns em muitas linhas produtivas, também é alvo das empresas que querem reduzir seus custos.
Sucessora da antiga Becker do Brasil, a Kostal comercializa itens como chave de seta, interruptores e módulos eletrônicos para carros, motos e caminhões. Em 2008 a empresa faturou US$ 120 milhões. Neste ano, ainda sofre um pouco com os efeitos da crise, que reduziu as vendas de motocicletas e caminhões em torno de 20%.
Falando em ganhos e perdas, a Indebrás, que vinha como toda a indústria automotiva de um 2008 excelente, com ganho que chegou aos US$ 100 milhões, deixou de ganhar cerca de 25%. Para se ajustar à nova realidade, a empresa passa agora por uma re-estruturação operacional e administrativa. Segundo Campos, além da crise, a pirataria e a falta de disposição do mercado nacional para a adesão à prática de manutenção preventiva foram fatores que colaboraram para que 2009 não tivesse sido melhor.
Quanto à concorrência asiática, diz o presidente da companhia, ela ainda ameaça, mas afirma que o consumidor não é bobo. Sabe bem quem é quem: “O comprador está dia após dia se conscientizando que o preço não pode ser o único fator de decisão na hora da compra. Temos atuado fortemente junto aos nossos clientes, através de palestras técnicas, visando destacar a importância da qualidade dos produtos, de sua durabilidade e confiabilidade”.
Para o gerente de Marketing da MTE-Thomson, não é a competição com produtos, mesmo asiáticos, de boa qualidade e dentro das regras de importação e ou taxação de impostos que assusta. “Hoje temos um excesso de oferta com várias marcas do mesmo produto e já vimos este filme antes. Estes novos players prometem um monte de coisa, incluindo preço muito baixo, e depois desaparecem da mesma maneira que vieram. O mercado infelizmente acredita e no fim perde tempo e dinheiro”, diz Alfredo Bastos Jr. A MTE produz cerca de 3 mil itens, entre produtos para controle de temperatura e injeção eletrônica, para o mercado interno e externo. Em sua lista de exportação há mais de 50 países. No Brasil, os produtos da empresa cobrem 97% da frota circulante de veículos. E, mesmo com crise, este ano a empresa espera ganhar 8% a mais que em 2008. O segredo da exceção: “Excelência técnica e gestão eficaz nos momentos de crise”, revela Bastos.
A pirataria, também apontada pelos entrevistados como um dos problemas recorrentes do mercado de componentes eletroeletrônicos automotivos, é hoje combatida pelas empresas através de ações como o Fórum contra a Pirataria e de entidades como o Sindipeças – Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores – e do GMA – Grupo de Manutenção Automotiva.
Mesmo com tantos desafios, 2010 promete ser melhor. Pelo menos é nisso em que acreditam os executivos do setor. Edson Campos diz que a expectativa da empresa é de que, pelo menos em volume, as vendas dos próximos anos se aproximem das concretizadas em 2007 e 2008.
Acordo para desenvolvimento de baterias de tração elétrica
A Magneti Marelli e a FAAM, líder na produção de baterias de ignição e de tração industrial, assinaram um acordo para desenvolvimento, produção e comercialização de inovadoras baterias de lítio para tração veicular, assim como dos sistemas de gerenciamento e controle necessários (BMS, Battery Management System).
O acordo estabelece o desenvolvimento conjunto dos produtos, com comercialização prevista já para a segunda metade de 2010. O objetivo da parceria é poder oferecer de forma competitiva componentes de alta tecnologia para um setor de primária importância às necessidades de mobilidade sustentável de um cenário futuro próximo e para a área de motores elétricos e híbridos. As novas baterias de lítio, assim como o sistema de controle, será destinada a todo o setor da mobilidade.
Últimos e futuros lançamentos
MTE-Thomson – A empresa destaca o Sensor Lambda Planar que equipa a maioria dos veículos flex, além das novas válvulas termostáticas eletrônicas e do sensor lambda para motocicletas.
Kostal – Acabou de lançar produtos como o alarme antifurto para veículos, rastreadores e bloqueadores.
Indebrás – A novidade fica por conta de dois produtos que ainda estão por vir: a bomba de combustível já homologada por diferentes montadoras e um complemento de aplicações para medidores que atenderá principalmente módulos recentemente lançados pelos concorrentes. Vamos aguardar.
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