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Michelin com a sua linha Energia Verde faz com que os pneus de baixa resistência à rodagem representem 70% das vendas da marca no País |
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Segundo dados das fabricantes de pneus, um carro pode consumir até 20% a mais de combustível só para superar a resistência excessiva provocada pelos pneus. A redução dessa margem pode significar a eliminação de 4% de todas as emissões de CO2 na atmosfera. Parece pouco? Então adicione a isso o fato de que o mundo deve dobrar sua frota de veículos. Dados do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) apontam que até 2030 o mundo terá 1,5 bilhão de veículos circulando, o que elevará o consumo de combustível em 47% e a emissão de CO2 em 75%.
É justamente na tentativa de reverter esse quadro que a indústria automobilística trabalha. E com os fabricantes de pneus não é diferente. Com o lançamento dos pneus verdes eles já conseguiram diminuir significativamente a resistência à rodagem. Alguns números inclusive apontam taxas de redução de até 30%, o que corresponde a uma diminuição de até 5% no consumo de combustível e de emissão de poluentes.
Enquanto fabricantes e fornecedores de matérias-primas se esforçam para oferecer ao consumidor um pneumático que suje menos o meio ambiente, engenheiros trabalham para não permitir que isso signifique abrir mão do desempenho e do rendimento já conquistados pela indústria. “Quando trabalhamos com mudanças como essas e com a criação de produtos novos, tomamos muito cuidado, pois podemos melhorar um item e prejudicar outros, como desempenho, segurança, frenagem ou dirigibilidade”, explica Daniel Vasconcelos, engenheiro da Continental, uma das empresas que fabrica e comercializa os chamados pneus ecológicos ou verdes.
A substituição de algumas matérias-primas na fabricação dos pneumáticos é um dos pontos de partida mais importante dessa busca da indústria por mais sustentabilidade. Hoje, por exemplo, componentes como o óxido de silício (SiO2), que substitui alguns derivados do petróleo usados na fabricação da borracha, aumentaram a resistência do produto e permitiram que sua estrutura interna fosse redesenhada e diminuída. “O pneu tem duas características fundamentais que contribuem para aumentar a resistência ao rolamento. Uma delas é a massa do pneu e a outra é o componente da borracha que fica na banda de rodagem em contato com o asfalto.
Em relação a esse último, a sílica é um material que diminui significativamente a resistência”, explica Vasconcelos. E como a resistência ao rolamento contribui significativamente para o consumo de combustível pelo veículo, cerca de 20%, segundo dados fornecidos pela Pirelli, os pneus ecológicos nada mais são do que aqueles que apresentam menor resistência, o que diminui o consumo de combustível e, consequentemente, a emissão de óxido de carbono (CO2).
Além da sílica, outros compostos têm sido adicionados aos produtos com o intuito de deixá-lo mais resistente e cada vez mais leve. Ninguém revela o segredo, mas sabe-se que as borrachas sintéticas e o Carvão Black, que aumentam muito a durabilidade do produto, entre outros, são cada vez mais usados pelos fabricantes de pneus.
Renato Silva, gerente de Marketing e Produto para pneus de passeio e caminhonete da Michelin na América do Sul, conta que a Fórmula 1 foi laboratório para muitos dos testes de resistência de novos produtos feitos pelas empresas: “Em 2005 a Fia – Federação Internacional de Automobilismo – fez valer a regra de que os carros teriam que percorrer toda a prova sem trocar os pneus. Nossos centros de pesquisa correram atrás de produtos mais duráveis e, naquela temporada, nossos pneus equipavam os carros que ganharam todas as corridas”, conta Silva.
Na busca por um produto mais limpo, nem mesmo a estrutura do pneu escapa. Afinal, diminuir o peso do produto também é fundamental para quem quer reduzir a resistência à rolagem. Os pesquisadores da Continental que o digam. Por lá, garante Vasconcelos, eles também conseguem fabricar pneus mais limpos realizando apenas mudanças na construção do produto. “Na maioria dos casos, produzimos pneus mais leves que os da concorrência, o que nos ajuda a manter um desempenho similar ou superior”, explica o engenheiro.
Os pneumáticos
Durante o processo de produção os pneus verdes não se diferem muito dos pneus convencionais, exceto pela troca de alguma matéria-prima ou da utilização de até 15% menos da quantidade tradicional de componentes. No geral, o processo também ficou 15% mais caro, mesmo assim, fabricantes como a Michelin, que já oferecem o produto a todos os segmentos do transporte, afirma não ter repassado o valor excedente ao consumidor final: “Temos a plena consciência do benefício ambiental que o novo pneu oferece e, por isso, preferimos diminuir nossa margem interna de lucro e ajudar a criar a demanda por pneus ecológicos”, afirma Renato Silva.
No mais, a combinação de um design inovador e de compostos de borracha mais eficientes é a principal causa da redução da resistência ao rolamento. É durante a vida útil que esses produtos mostram mesmo para o que foram criados, conseguindo reduzir o consumo de combustível do veículo a ponto de fazer o motorista economizar no posto o equivalente ao preço de um pneumático novo: os pneus verdes permitem que o carro rode gastando até 5% menos combustível, e no caso dos veículos pesados, como os caminhões, essa economia pode chegar a 6%. Trocando em miúdos, para o dono do carro isso significa ganhar um pneu novo de graça e dois tanques de combustível a cada troca dos pneumáticos. Menor consumo significa menos poluentes emitidos e ar mais puro nas cidades. Só para se ter uma ideia, caso equipasse toda a frota nacional, de cerca de 28 milhões de veículos, segundo a Anfavea – Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores –, os pneus verdes permitiriam que 500 milhões de litros de combustível fossem economizados durante um ano. E mais, se toda a frota de caminhões e ônibus rodoviários do Brasil fosse equipada com esse produto, aproximadamente 14 milhões de toneladas a menos de CO2 deixariam de ser emitidas na atmosfera anualmente.
Se economia de combustível é um dos pontos fortes desses produtos, o consumidor ainda vai ganhar mais tempo antes de trocar os pneumáticos. Fabricantes como Michelin, por exemplo, garantem que alguns dos seus pneus verdes duram até 40% a mais do que os convencionais para o mesmo segmento. Tudo perfeito não fosse o descarte. Daí, o pneu perde o sobrenome verde e seu destino é o mesmo dos pneumáticos comuns: coleta e trituração.
Mercado
Atualmente, as grandes fabricantes de pneus já investem em tecnologias verdes. A Goodyear, com o composto BioTRED, já substitui o petróleo por amido de milho na confecção de parte da borracha de alguns pneus feitos nos Estados Unidos e na Europa, eliminando a necessidade de um recurso não renovável na fabricação.
Já a Pirelli desenvolve um composto que se decompõe mais rapidamente. Pneus comuns levam em média 300 anos para se degradar no ambiente. O novo material levaria 50 anos. E sem desvantagem prática, como redução de durabilidade ou aderência. O composto deve ser colocado no mercado em alguns anos. A Michelin com a sua linha Energia Verde faz com que os pneus de baixa resistência à rodagem representem 70% das vendas da marca no País.
Na Pirelli, afirma Roberto Falkenstein, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa para a América Latina, os pneus ecológicos têm sido produzidos conforme a demanda por esses produtos. Atualmente a fabricante só fornece seus pneus verdes às montadoras, como Toyota, Honda, Volkswagen e Fiat, entre elas. Na Europa, onde esses produtos já são mais populares, a Pirelli disponibiliza os pneus ecológicos na reposição. Por aqui, acredita Falkenstein, o consumidor só vai perceber a eficiência dos produtos quando as montadoras colocarem em seus carros selos que mostrem dados importantes sobre a fabricação desses produtos e seu menor consumo energético. “Assim como os selos de geladeira, as etiquetas dos carros vão gerar nas pessoas uma consciência maior da importância de buscar por produtos mais benéficos e econômicos”. Hoje na Pirelli cerca de 20% da produção é de pneus verdes e apenas 5% dela fica no País. Até 2010 a empresa deve colocar no aftermarket sua linha de pneus verdes para segmentos de maior desempenho.
O ContiEcoContact 3, pneu verde da Continental, produzido na fábrica de Camaçari, na Bahia, abrange 19 diferentes medidas. A empresa o fornece para montadoras como Renault, que equipa com o novo pneumático o Sandero Step Way.
Na reposição, o pneumático oferece aplicações para carros populares, como o Ford KA, e até carros de luxo e veículos comerciais e pesados. Em relação ao seu predecessor, o ContiEcoContact 3 apresentou um desempenho de frenagem incrementado em 9%. A resistência à rolagem foi reduzida em 12%, enquanto a durabilidade foi mantida.
Nanotecnologia
Sabe aqueles pneus velhos que sujam córregos e terrenos vazios? No que depender dos pesquisadores do Instituto de Química da Unicamp essa imagem tende a desaparecer. É que por lá, graças à nanotecnologia, eles conseguiram, a partir do látex, desenvolver uma borracha reciclável com características semelhantes à dos pneus.
A boa notícia é que o novo processo elimina a vulcanização, que dificulta a separação das ligações entre suas cadeias de moléculas e impede que, mesmo aquecida, a borracha amoleça. O nanocompósito de látex foi patenteado e licenciado pela Orbys, que trabalha no desenvolvimento do processo de aplicação e de produção do material. No entanto, o composto deve ser inicialmente usado pela indústria calçadista. Dois fabricantes de pneus já entraram em contato com o fornecedor para conhecer melhor o componente, mas segundo o representante da Orbys nada ainda foi definido.
Você sabia que um dos grandes responsáveis pelo consumo de combustível do seu carro são os pneus? De cada cinco vezes que você enche o tanque, uma é só para cobrir o combustível gasto pela resistência dos pneus à rodagem.
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