Edição 177 - Perspectivas
 
Fuja do Efeito Manada
 
   
   
  Alexandre Xavier
  Alexandre Xavier é gerente de Negócios e Marketing do IQA-Instituto da Qualidade Automotiva.
   


Diante da crise econômica mundial vemos, quase que diariamente, empresas anunciarem milhares de demissões. A avalanche que começou ano passado parece ainda descer montanha abaixo, carregando inúmeros empregos de diversos setores, inclusive do automotivo. Para alguns dirigentes, a justificativa para tantas demissões é uma só: adequação ao novo cenário econômico. No entanto, o futuro, ao menos do setor automotivo aqui no Brasil, acena para uma retomada. Já se sente uma grande melhora nas vendas e na produção. E o que fazer quando o cenário voltar a melhorar se o quadro de funcionários foi reduzido? As empresas terão fôlego para produzir o que o mercado demanda?
Para alguns especialistas, as empresas que demitiram precipitadamente no início da crise vão se arrepender das decisões. Para estes especialistas, quem dispensou sem pensar não vai conseguir retomar com agilidade e acabará ficando para trás. Neste ponto, as empresas que tomarem as decisões mais adequadas agora serão justamente as mais beneficiadas.
Então, olhemos a crise por outra ótica, não a do desespero, mas pelo ângulo agora da oportunidade. Você deve estar se perguntando: tem espaço para oportunidade nestes tempos? Sim. A crise gera uma situação peculiar: as diferenças entre as empresas diminuem porque o mercado se retrai e a produção enxuga. A chance para sair bem da crise é investir de maneira inteligente para, num cenário de retomada, ganhar mais espaço no mercado. Uma destas maneiras é investir em treinamento, em qualificação profissional. Do que é feita uma empresa se não de pessoas? Nenhuma companhia pode existir investindo somente em equipamentos e infraestrutura, mesmo em época de crise. Os cursos devem ser parte da rotina de uma empresa. Se são feitos somente na hora em que a empresa precisa, ela perde espaço para quem está preparado e isso pode significar ser tarde demais no mundo dos negócios. Isso porque a tecnologia avança em velocidade acelerada e as pessoas devem se preparar para manter sua relevância e produtividade.
Em 2008, quando o mercado estava muito aquecido, houve grande procura por treinamentos bem específicos e de curta duração. E num ano em que se tem menos dinheiro disponível, como 2009, esta tendência tende a se acentuar. No Instituto da Qualidade Automotiva, o número de participantes nos cursos focados, de curta duração, cresceu cerca de 20% em 2008, em comparação com 2007. No entanto, a ideia não é que as empresas saiam por aí investindo em treinamentos sem um planejamento prévio. Além disso, precisa “casar” corretamente o perfil do profissional com o curso a ser realizado. Já quem tem seu capital humano treinado e capacitado, pense se a demissão é, de fato, a melhor saída. Não olhe somente o presente, mas sim o passado, no que você investiu, e o futuro, no que o conhecimento destas pessoas pode fazer pela sua empresa.
Ao enxergar oportunidades como essas, empresas inteligentes agem estrategicamente e por isto ganham mais espaço no mercado. Se hoje a maioria passa por um processo de retração, quem se destaca não é quem faz igual. A isso damos o nome de “reflexo de manada”, ou seja, se faz igual, vai para o mesmo lugar. A vez é, portanto, de quem faz diferente.

 
« Voltar