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Tratamento de efluentes é tradição na Dana |
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Em empresas que investem em ações de sustentabilidade a máxima de que tudo se transforma é válida |
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Para que as ações tenham sucesso nas empresas são necessários procedimentos criteriosos e o envolvimentos de especialistas |
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Projetos de sustentabilidade são vistos como negócios pelas grandes empresas que contam com o apoio incondicional de todos os colaboradores |
Certamente, em algum momento você já deve ter se deparado com o termo sustentável no seu dia a dia. Ainda que muito usado em discursos, matérias jornalísticas e publicidade, o seu conceito não é bem conhecido por todos.
Em regra geral, acredita-se que sustentabilidade esteja somente associada à preservação ambiental, mas o termo vai muito além disso e engloba, também, os aspectos financeiros e sociais de toda atividade humana. Criando uma interdependência entre pessoas, planeta e lucro. Sendo assim, o mundo todo é sustentável.
O conceito sustentabilidade é recente no cotidiano das pessoas, contudo, cada vez mais presente no seu dia a dia. “Se alguém ou alguma empresa for 0% sustentável, será alguém sem dinheiro algum, sem cuidado algum consigo próprio ou com o ambiente – e isso não existe”, afirma Silvia Dias, especialista em Marketing e Sustentabilidade.
A realidade atual começa a demandar uma nova postura. As empresas têm a oportunidade histórica de serem um grande agente de mudanças e os consumidores, mesmo com insegurança, passam a demonstrar interesse e preocupação com o desenvolvimento e crescimento que os rodeiam. Por sua vez, exigem empresas e produtos sustentáveis.
A responsabilidade das empresas é enorme, afinal são elas que detêm os meios produtivos e boa parte da pesquisa tecnológica, ou seja, são elas que podem
desenvolver produtos e processos produtivos menos danosos ao ambiente.
São as empresas que podem desenvolver na prática o conceito de ciclo de vida de produto, aumentando o reaproveitamento do que hoje vai para o lixo e ampliando o espectro da cadeia produtiva. São elas, por meio das ações de marketing e publicidade, que podem ajudar a sociedade como um todo a avançar nesse debate.
“Dentro da empresa, um projeto de sustentabilidade deve ser visto como negócio”, ressalta Silvia. O Marketing Sustentável é um processo estratégico de planejamento e implementação integrada da atividade produtiva (produto, preço, comunicação e distribuição), de forma a dar resposta às necessidades imediatas e futuras dos consumidores, da organização, do ecossistema, dos cidadãos e restantes entidades.
Na maioria das vezes, um plano de sustentabilidade bem ancorado, servirá de lembrança, distinção e modelo para os consumidores. Quando tudo é semelhante entre produtos (qualidade, performance, etc.), benefícios ambientais farão a balança pender a favor de um produto em detrimento de outro.
Apesar de se tratar de um conceito novo e sem uma definição comum a todos, a sustentabilidade está no lar das pessoas. Elas estão mais conscientes e exigindo uma nova postura do setor produtivo e estão começando a mudar seus hábitos.
Em alguns casos o consumidor se quer percebe, contudo compra orgânicos, recicla, utiliza lâmpadas fluorescentes, prefere empresas que apoiam o comércio justo e causas ambientais, procura produtos locais, busca diminuir o uso de produtos tóxicos em casa e no corpo, busca saúde e bem-estar com uma vida mais equilibrada e simples, apoia as ações ambientais positivas e a justiça social sempre que possível.
Dificilmente as empresas têm uma visão sistêmica da sustentabilidade. A tendência ainda é ver o tema de forma fragmentada, associado a meio ambiente ou responsabilidade social.
Por isso, a maioria das empresas empreende algum investimento social externo ou promove alguma atividade ambiental isolada. “Isso também é sustentabilidade, mas só isso não é sustentabilidade”, exemplifica Silvia.
No Brasil, as ações de sustentabilidade por parte das empresas variam muito. As indústrias geralmente provocam um passivo ambiental forte e tendem a estar mais avançadas no quesito ambiental, como reflorestamento de áreas, por exemplo. Empresas de serviços, nas quais a questão ambiental não é forte, tendem a se voltar mais para questões sociais: os bancos normalmente focam o trabalho de suas fundações em ações de educação e cultura.
Para Silvia Dias, “uma outra frente que avança com boa aceitação dentro da empresa é a que gera redução de custos no sistema produtivo (economia de água, de energia elétrica, etc.), o que também é sustentabilidade, desde que a redução de custos venha da economia de materiais e processos mais eficientes”.
Nova Era
O marketing tradicional, responsável por contribuir para o crescimento do consumo irresponsável, abre espaço para um novo instrumento focado na crescente mudança no perfil dos consumidores conscientes das consequências do consumo de produtos desnecessários, ou ambiental e socialmente incorretos. Esta ação irá favorecer empresas comprometidas com o bem estar da sociedade.
O consumidor continua a procurar novidades, querer produtos que tenham sua personalidade e marcas que signifiquem algo na sociedade. Contudo, os novos consumidores verificam rótulos, estudam conteúdos, comparam preços, examinam promessas, ponderam opções, fazem perguntas pertinentes e sabem quais são seus direitos legais.
O grande dilema atual que as empresas enfrentam é como se sobressair e conseguir aparecer frente ao consumidor com o excesso de marcas, tecnologia e comunicação. É neste momento que o marketing sustentável faz toda a diferença. Ele será responsável pela clareza na relação cliente–empresa. Deixando exemplificado o que a marca (empresa) acredita. As empresas precisam, de alguma forma, associar a sua marca ao assunto sustentabilidade.
A sustentabilidade pode e deve estar presente independentemente do porte e do segmento da empresa. o que faz a diferença mesmo é como essa empresa se enxerga, o que ela coloca como missão, visão e valores. A empresa precisa estar ciente que agora o consumidor está com os olhos abertos e está, a todo momento, comparando suas ações com outras empresas.
Vale ressaltar que uma ação sustentável terá mais credibilidade quando a mobilização nos funcionários é forte. A comunicação deve começar na empresa, incentivando o compromisso e a responsabilidade interna. Estes colaboradores levaram para fora dos portões da empresa a necessidade de agir. Sendo assim, as ações internas ultrapassam os limites empresariais e se estendem para os bairros ao seu redor. Criando novos núcleos, novas ideias e novas atitudes.
É importante lembrar que a grande definição do termo sustentabilidade é: suprir as necessidades da presente geração sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas. Em outras palavras, usar com sabedoria e respeito os bens naturais, sem se distanciar do foco de gerar empregos, criar bens duráveis, ter o poder de ir e vir etc.
Atualmente, qualquer ação corriqueira pode ser calculada em quantidade de gás carbônico (CO2) emitida e/ou queimada e assim transformada em mudas de árvores que anulariam o prejuízo ao ambiente. Ou seja, está individualmente em cada um o poder de fazer diferente.
O direcionamento geral, fazer as coisas com impacto menor sobre o planeta, respeitando as pessoas de dentro e de fora das empresas e ainda assim ganhar dinheiro, permanece na crise e na bonança. Aliás, quem fala que está cortando projetos de sustentabilidade por causa da crise é porque não entendeu o que é sustentabilidade, confirma Silvia.
O mais importante é que os resultados estão aparecendo e já é possível ver os avanços da sustentabilidade.
Na opinião de Silvia Dias, o principal resultado está no indivíduo: “As pessoas estão mais conscientes e exigindo uma nova postura do setor produtivo. E estão começando a mudar seus hábitos. Pois, da mesma forma como economiapessoas- planeta estão interligados, também empresas-governo-consumidores são interdependentes para fazer a sustentabilidade avançar”.
Universo
No mercado automotivo, a realidade não poderia ser diferente. As ações que visam à melhoria do modo produtivo e da qualidade de vida das pessoas são inúmeras. Nessa edição, mostraremos três casos de sucesso.
Dana é homenageada na Fiesp por gestão da água
As realizações da Dana em Sorocaba (SP) foram homenageadas pela Fiesp-Federação das Indústrias do Estado de São Paulo por terem um dos melhores programas de gestão da água no estado.
A empresa foi uma das finalistas do 3º Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso da Água.
Com as ações adotadas no último ano, as operações da empresa conseguiram reduzir o consumo de água em 20%. Um dos projetos de destaque foi a instalação de inibidores de vazão nas torneiras dos banheiros e refeitórios da fábrica, que contribuiu para a economia de 9’’ no consumo. Esse dispositivo simples faz com que a quantidade de água que sai das torneiras seja sempre a mesma – o suficiente, mas sem desperdício – mesmo quando o registro está totalmente aberto.
O objetivo da Fiesp com esse prêmio é reconhecer e difundir empresas que implementam ações para o uso eficiente de água, com medidas efetivas na redução do consumo e do desperdício de recursos hídricos, gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais.
Bosch tem como prioridade a diminuição do descarte de subprodutos (resíduos) em aterros
O conceito desenvolvido pela empresa, denominado de Descarga Zero, foi iniciado em 2000.
Com a implantação da ação, os subprodutos passaram a ser tratados como fonte de energia a ser reutilizada no processo fabril.
Atualmente, 93% de todos os subprodutos gerados nas unidades da Bosch na América Latina são reciclados ou recuperados, servindo de fonte de energia e matéria-prima, tanto para a Bosch quanto para outras empresas. Uma das ações realizadas a partir do Descarga Zero é a utilização do calor provocado na geração de ar comprimido, necessário para a produção de sistemas diesel na fábrica de Curitiba (PR), gerando reaproveitamento de energia.
Para gerar o ar comprimido é necessário refrigerar a água utilizada durante todo o processo, e isso provoca calor. Essa energia desprendida é reutilizada no aquecimento da água usada em banheiros, lavatórios e duchas dos vestiários.
Calor também é utilizado para acionar os sistemas de ventilação e ar-condicionado dos escritórios e das áreas fabris de Curitiba, além de equipamentos da linha de produção, como as lavadoras industriais.
A quantidade de energia economizada na fábrica, com o calor gerado nesse processo, é de aproximadamente 800 kwh, o que poderia abastecer cinco residências durante um mês. Essa maneira de reusar energia foi pensada desde a implantação da fábrica de Curitiba em 1978. O sistema atende as normas europeias de responsabilidade ambiental. Este tipo de reciclagem é comum na Europa, mas ainda não tão usual no Brasil.
Delphi apoia cooperativa de catadores de material reciclável
Em parceria com a Prefeitura Municipal de Espírito Santo do Pinhal (PR), a empresa promove o desenvolvimento socioeconômico de pessoas de baixa renda que sobrevivem da atividade de coleta seletiva.
A empresa realizou, em 2008, um levantamento sobre a disposição do lixo e verificou que no passado a cidade depositava todo o detrito gerado em um lixão.
A situação, além de provocar impactos ambientais para a comunidade local, expunha os catadores de sucata a um ambiente insalubre.
A empresa iniciou o processo de educação ambiental demonstrando para os colaboradores da fábrica os impactos causados pelo lixo e da importância da prática de coleta seletiva realizada no seu local de trabalho e em suas residências.
A ideia é que os colaboradores estendam a prática da coleta seletiva para seu convívio social gerando uma mudança de hábitos. O Projeto Catar tem como meta a extensão para demais empresas do município e envolver cada vez mais pessoas no programa de conscientização, aumentando, assim, as possibilidades de segregação do lixo.
O QUE VOCÊ PODE FAZER HOJE!
Algumas ações simples que fazem a diferença:
• economizar e reciclar papel;
• reciclar latas e embalagens;
• não queimar lixo;
• economizar água e energia elétrica através do uso mais racional desses recursos;
• garantir que as empresas fornecedoras de bens e serviços tenham também a mesma preocupação;
• recusar a consumir produtos de origem ilícita ou que tenham sido obtidos (extraídos ou fabricados) através de meios prejudiciais à natureza. |