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A consultora em RH Micheli Cordeiro afirma que momentos de crise são propícios para executivo repensar carreira |
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Assim que as instituições financeiras norte-americanas anunciaram a ruína do sistema de crédito naquele país, uma onda de perdas e desconfiança tomou conta das economias em todo o mundo. A rapidez com que as notícias circulam de um lugar para o outro e, sobretudo, a interdependência entre os países só pioraram o quadro. Como não poderia ser diferente, a crise atingiu de alguma maneira os negócios de empresários brasileiros, principalmente aqueles ligados ao setor automotivo, um dos mais afetados com a falta de crédito e confiança do consumidor. Em pouco tempo, o pânico e a incerteza tomou conta das empresas instaladas no Brasil, cujas matrizes sofrem com a falta de recursos e crédito nos Estados Unidos. Essas, por sua vez, tiraram capital das unidades mais lucrativas, deixando muita empresa aqui no Brasil sem caixa. Essas empresas, para continuar a operar, se viram obrigadas a reduzir seus custos, repensar estratégias, cortar benefícios e até mesmo diminuir o quadro de profissionais.
Dilema
Diante desse quadro, diretores de grandes empresas encontram-se em frente a um grande dilema: como agir com colaboradores nesse momento? “Retenção de talentos envolve dinheiro, mas em tempos de crise o fator clima é algo muito importante para que os colaboradores da empresa se sintam bem. Mais do que nunca é muito válido que se sintam seguros, trabalhem num clima agradável, motivador, com a comunicação transparente, honesta e sem distorções. Aliás, se a empresa já teve que demitir, então as pessoas que ficam merecem tudo isso, pois vão trabalhar em dobro para ajudar a empresa a se fortalecer novamente”, aconselha a consultora em Recursos Humanos, Micheli Cordeiro. Para Micheli, antes de tomar decisões, alguns pontos fundamentais devem ser levados em conta. “O empresário não pode esquecer que nesse momento é imprescindível ter uma equipe de qualidade para superá-la. Será necessário ter pessoas que motivam os outros, que tomem decisões em situações complicadas e delicadas, que se comuniquem com empatia, que tenham uma visão estratégica e que trabalhe muito bem em equipe. É preciso ter claro também que os melhores não são os mais antigos e sim os que geram os melhores resultados.”
Porém, caso uma redução no quadro de colaboradores seja inevitável, é importante que a escolha daqueles que ficarão seja criteriosa, assim como bastante transparente o desligamento dos demais.
E agora?
Ainda que, em um primeiro momento, a demissão de um executivo possa parecer assustadora, é uma alternativa para reciclagem profissional e também busca de novos desafios. É o que garante Micheli Cordeiro. “O tempo livre é uma ótima oportunidade para repensar seus objetivos e metas. Além disso, pode aproveitar para fazer cursos e correr atrás do que realmente gosta”, completa. A busca de uma nova colocação também exige tempo do executivo que deve estabelecer uma rotina e criar parâmetros de quais caminhos seguir. “A ferramenta mais importante hoje na recolocação profissional é o currículo, o qual deve ser elaborado ou pelo menos analisado por um especialista de RH. O profissional deve expor a situação aos seus familiares, amigos e contatos profissionais, pois nesse momento não é hora de orgulho, é hora de pedir ajuda. E ao ser convidado para participar de um processo seletivo, sempre pesquisar todos os detalhes sobre a empresa, sua missão, visão, valores, clientes, mercado, estratégias de negócios, concorrentes, parceiros, tudo. Isso é muito importante, além de se comportar da forma mais natural nas dinâmicas de grupo e ser verdadeiro nas entrevistas”, conclui Micheli.
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