Edição 169 - Entrevista
 
Conhecimento de Causa
Francisco Wagner de La Torre
 
Texto: Christiane Benassi

Com experiência de mais de 20 anos no varejo de autopeças, o empresário Francisco Wagner de La Torre assume o posto de presidente do Sincopeças- SP, Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo. Nesta entrevista para a Mercado Automotivo, o dirigente da entidade fala com exclusividade sobre sua trajetória no segmento, sobre mercado e suas expectativas no Sincopeças

 
  Francisco Wagner de La Torre

Mercado Automotivo − Para começar, fale um pouco da sua trajetória no varejo de autopeças.
Francisco de La Torre − Iniciei no setor de autopeças ao comprar a loja, na qual trabalho até hoje, do meu sogro. Foi em 1985, e eu não fazia a menor idéia do que seria um simples platinado. De lá para cá, fui um dos fundadores do projeto Rede Âncora, contando atualmente com mais de 500 lojas e participação em 13 estados, cada qual operando com seu próprio centro de distribuição. Em 1997, comecei com a minha participação na atividade sindical patronal, atuando nas funções de diretor, secretário e vice-presidente. Parte dos anos 80 e 90 eu atuei na Associação Comercial de São Paulo.

Mercado Automotivo − Nesse período, quais foram suas maiores conquistas e desafios? Como você os enfrentou?
La Torre − Para o pequeno empresário, manter seu negócio em franca atividade já é um grande desafio a ser superado todos os dias. Somente aqueles que enfrentam esse tipo de situação sabem exatamente o que eu estou falando. O projeto Rede Âncora me causa muitíssimo orgulho, pois é um desenho de negócio totalmente inovador, sendo necessária a quebra de muitos paradigmas. E o resultado é um crescimento espetacular. Embora eu tenha me desligado do projeto, continuo olhando-o com carinho. Outra coisa da qual me orgulho é o fato de fazer parte de uma geração de varejistas que conseguiram ampliar a representação da categoria dentro do mercado e das instâncias governamentais. A maior lição que eu tiro de tudo isso é que as conquistas somente se alcançam com união e respeito às decisões do grupo.

Mercado Automotivo − Na sua opinião, qual é a situação do varejo de autopeças nos dias de hoje? Qual é a principal tendência para esse elo da cadeia de distribuição de autopeças?
La Torre − O varejo apresenta desempenho de venda diferente, de acordo com a região da capital ou a região administrativa do interior. Na capital, as regiões periféricas encontram um certo grau de dificuldade e inadimplência maiores. Porém, eu acredito que num futuro próximo haverá uma significativa melhora, devido ao aumento da frota proveniente dos veículos que perderão a garantia. Além disso, possivelmente devido ao aumento da concorrência, principalmente pela entrada de novos players (supermercados, etc.), o varejo deve agregar novos produtos ao seu mix, além de melhorar suas ferramentas de relacionamento.

Mercado Automotivo − Quais são as características do varejo de autopeças de São Paulo?
La Torre − O jeito de tocar uma loja de autopeças − de um modo geral − necessita das mesmas ferramentas de gestão, independentemente da cidade em que o varejista se encontra. Uma vez que está sob a mesma legislação, as mesmas possibilidades de financiamento, basicamente o mesmo perfil de frota, a cultura do consumidor é muito parecida; enfim, as variáveis de mercado são muito próximas. O que muda de forma mais significativa é o alto custo dos imóveis na capital, e isso dificulta a configuração das lojas. A inclusão de estacionamento, box de serviços rápidos, área de autoserviço e mercado demandam investimentos muito altos para os varejistas da Capital.

Mercado Automotivo − Como o Sincopeças orienta seus associados a vencerem esses desafios?
La Torre − Para quem quer investir num varejo de autopeças, deve estar ciente que o fundamental é o nível de comprometimento que o investidor estabelecerá com o negócio. Pois, em função das particularidades dessa atividade, é necessário ficar atento e ter muito carinho com o gerenciamento das ferramentas de gestão, os custos operacionais e a inadimplência. Essa última mantém taxas sempre acima das médias do comércio em geral. Devido às baixas margens praticadas pelo segmento, o empresário tem que tomar decisões rápidas, por isso ele tem que estar sempre por perto. As lojas de autopeças continuam sendo um bom negócio, desde que o investidor esteja disposto a trabalhar duro, porque a maturação do negócio é demorada.

Mercado Automotivo – O que representa para você essa nova posição no Sincopeças?
La Torre – Como fazia parte da diretoria, não vejo essa situação como uma nova fase para mim no Sincopeças, mas sim trata-se de uma nova situação, pois já trabalhava em ações estratégicas para o sindicato. Vou dar continuidade a esses projetos que já vinham sendo feitos, serão criados novos produtos benéficos para os associados, além de incentivar e facilitar o uso da internet pelo varejo com a criação de programas de gestão. No entanto, a gestão terá mais a minha cara.

Mercado Automotivo – Quando você fala que o varejo terá a sua cara, que cara será essa?
La Torre – A do varejo de autopeças.

 
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