Edição 166 - Matéria Especial
 
Hora Certa
Saber o melhor momento para investir na evolução da empresa é o segredo da segurança e do sucesso de um negócio
 
Texto: Marina Diana

A participação da China com produtos e preços extremamente competitivos trouxe modificações profundas para o mercado nacional e fez com que muitas empresas reavaliassem seu posicionamento. Por isso, o empresário que pretende investir mais dinheiro no seu negócio deve fazer uma pesquisa de mercado, verificar condições de empréstimo e analisar o cenário econômico no País antes de realizá-lo.
O consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa de São Paulo), Rosendo de Sousa Júnior, explica que o empresário procura auxílio para um novo investimento motivado por modificações no mercado como, por exemplo, novas exigências do consumidor.
A necessidade de um novo investimento pode vir no momento em que o empresário percebe que está perdendo mercado. Isso pode acontecer de diversas formas como em queda de clientela, concorrência próxima, aumento ou baixa de preços sem resultados, entre outros acontecimentos. A perda de uma fatia do mercado, segundo entendimento de Sousa, tem fator de origem e conseqüência, e ambos precisam ser descobertos em tempo. Entre as possíveis causas pode estar o alto índice de importação, que trouxe concorrência para o mercado nacional e fez com que as organizações realizassem mudanças na sua linha de produtos e serviços. “A pesquisa de mercado é fundamental nestes casos para que a empresa consiga perceber o que está acontecendo realmente”, afirma o consultor do Sebrae paulista.

 
  Rosendo Sousa Júnior
   
 
  José de Almeida Amaral Júnior

De olho em oportunidades
Enxergar uma lacuna no mercado, ou ainda uma deficiência em um determinado nicho, pode trazer bons resultados se a empresa souber aproveitar a oportunidade corretamente. Ou seja, no mercado de brindes, por exemplo, conseguir inovar, diferenciar e ainda assim conseguir ponderar custos são tarefas árduas, mas não impossíveis. Grandes potências mundiais provam que ficar atento ao mercado é a chave do sucesso. Um dos melhores exemplos foi o que aconteceu com os Estados Unidos recentemente. Com a incidência de catástrofes naturais naquele país, que devastaram plantações de milho, e a alta do preço do petróleo fizeram com que a exportação do etanol encontrasse seu espaço e o biocombustível brasileiro se tornou uma excelente opção de alternativa energética. Sorte do Brasil.

Ramificações
Porém, existem outras opções de investimento que não na própria empresa, como as aplicações em ações na bolsa de valores. A empresa que dispuser de sobra de recursos pode aplicá-los em organizações sólidas e com longo prazo para retorno, já que esses investimentos em geral são rentáveis e menos suscetíveis a risco. E, para isso, não precisa ser economista, investidor. Basta vontade e buscar por informações com profissionais. Ainda existe a filosofia de que investir em imóveis é bom investimento. Salvo exceções, esse segmento pode sim trazer dores de cabeça por diversos fatores que envolvem, principalmente, terceiros.
O investidor também pode optar por aplicar em poupança, mas no Brasil esse investimento ainda tem pouco rendimento. Rosendo Sousa Júnior explica que a empresa deve, antes de qualquer movimentação no mercado, avaliar os resultados operacionais, lucros atuais e, sobretudo, o que poderá ser gerado de aumento dos lucros com os novos investimentos. “O investimento deverá sempre ter acréscimo nos resultados, que podem ser medidos em lucro ou até mesmo na abrangência de mercado”, recomenda.

Informação: moeda de negócios
O empresário, munido de informações sobre possíveis consumidores, concorrentes e fornecedores, estará no caminho correto para avaliar seu futuro investimento. Por isso, uma profunda análise financeira é fundamental. Para tanto, consultores especializados nessa área podem auxiliar a contabilizar custos e lucros de aplicações de recursos em novos funcionários, equipamentos ou pesquisas tecnológicas, por exemplo. Para Sousa, quem pretende investir dinheiro deve ter uma visão atual em termos de resultados da empresa e estimar as mudanças promovidas em seus resultados a partir dos investimentos. “Se a estimativa apresentar aumento dos resultados, e este for de acordo com as expectativas dos investidores, valerá a pena”, diz. “Para ter essa visão real da empresa, uma boa opção é aderir ao Business Plan, ou, como é conhecido, planejamento empresarial”, afirma o consultor.
Atentas ao mercado, muitas empresas já recorrem ao planejamento empresarial, responsável pela identificação do destino dos negócios. Esse panorama pode ser utilizado como instrumento de marketing e norteia as próximas ações, tanto para os possíveis investidores quanto para os sócios. Além de testar a viabilidade de novos investimentos e projetos, o documento passa credibilidade e pode atrair novos recursos.

Entraves e medidas em vista
A economia no Brasil está em ritmo de crescimento e a prova disso está nos dados do Simpi (Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo). Segundo a entidade, foram criadas mais de cem mil novas empresas no Estado nos últimos 4 anos. Porém, o aumento da taxa de juros pelo Banco Central encarece os empréstimos realizados para novos investimentos e, seja por uma administração ruim ou por falta de crédito, muitas acabam antes de completar dois anos.
O economista José de Almeida Amaral Júnior explica que outro entrave para o investidor no Brasil é a alta carga tributária, que consome cerca de 40% do PIB (Produto Interno Bruto). Esses impostos atingem o setor produtivo elevando os custos. Ele diz que, para não sair no prejuízo, a empresa tem que utilizar medidas compensatórias, “porque estes custos acabam sendo repassados no preço final direto para o consumidor”. Para estimular empresas e indústrias, o Governo Federal criou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), um conjunto de medidas que visa incentivar o setor privado, quebrar barreiras burocráticas e aumentar a infraestrutura para o crescimento.

Inflação e balança mundial
Recentemente, um problema antigo voltou a assustar investidores, empreendedores e consumidores: a alta da inflação. Quem viveu o auge desse problema no Brasil fica preocupado porque essa alta ocasiona o aumento dos preços dos alimentos e da energia. Para controlar a inflação, o governo aumenta a taxa de juros, atraindo o capital especulatório. A especulação dificulta o crescimento do País porque o dinheiro não está sendo investido na produção de riquezas para proporcionar, por exemplo, uma diminuição na taxa de desemprego. O investimento no setor produtivo traz benefícios para o País, gerando novos empregos, diretos e indiretos, aumentando assim a renda da população. Com a economia globalizada, o País fica suscetível também às movimentações exteriores, como foi o caso da crise imobiliária nos Estados Unidos, que refletiu em muitos países e deixou o mundo em alerta. No Brasil, o Banco Central teve que intervir aumentando a taxa de juros para prevenir efeitos do colapso americano na nossa economia. Em maio, os Estados Unidos registrou a maior taxa de desemprego dos últimos 22 anos. “É um difícil momento dessa grande potência mundial” completa José Amaral. Para o economista, a alta taxa de juros e a conseqüente entrada de capital especulativo favorecem a desvalorização do real frente ao dólar, prejudicando o mercado financeiro interno. “Isso encarece nosso produto e faz com que a balança comercial brasileira registre menor exportação e mais facilidade para a importação de produtos.”

Cada qual no seu lugar, mas juntos
O empresário tem papel importante na economia. Quando ele investe na própria empresa, gera mais postos de trabalho e automaticamente mais renda para as famílias. Dessa forma cresce o mercado consumidor que, naturalmente, fica fiel à empresa. No mês de maio de 2008, por exemplo, o Brasil registrou o segundo menor índice de desemprego desde 2002 — cerca de 7,9%. O balanço do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) flagrou ainda o aumento do consumo das classes C, D e E. E consumidor e fornecedor se misturam muitas vezes. Por isso, é importante o pequeno e micro empresários sempre observar como anda a satisfação dos funcionários. Isso reflete no resultado final, que é o cliente. Apesar do momento econômico, o Ipea (Instituto de Pesquisas Aplicadas) divulgou que o investimento cresce mais que o PIB há 12 trimestres, com uma taxa média de 2,4 vezes superior. “Mesmo com a alta dos juros e o aperto monetário para combater a inflação, a aposta é de que esta seqüência não seja interrompida agora. Torço para que isso se confirme”, encerra o economista.

 
« Voltar