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Realizada entre 28 de abril e 3 de maio, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, a Agrishow reuniu empresários de todo o País e até do exterior. A mostra, considerada a maior do agronegócio na América Latina, com 745 expositores, apresentou cerca de 3 mil produtos da mais avançada tecnologia mundial. A expectativa dos realizadores da feira é que ela tenha gerado em torno de R$ 800 milhões em negócios. Para Roberto Rodrigues, presidente do Conselho Consultivo da Agrishow e ex-ministro da Agricultura, a feira é uma vitrine tecnológica, uma sinergia entre academia e indústria e se torna a plataforma de lançamento de um novo ciclo do agronegócio, marcado pelo cenário da falta de alimentos no mundo: “No Brasil não há competição entre produção de combustível, bioenergia e alimentos. Esse cenário mundial dá ao País a oportunidade histórica de crescer e produzir energia renovável e limpa”. Segundo Fábio Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), a agropecuária é a atividade responsável pelo desenvolvimento nacional e representa 26% do PIB brasileiro, 37% dos empregos, 36% das exportações brasileiras e grande parte do saldo da balança comercial. Além de gerar empregos e riquezas em outras áreas, como a automotiva, por exemplo.
Reflexo na produção de caminhões pesados
Embora o cenário mundial agrícola não seja dos mais animadores, no Brasil as safras recordes dos últimos anos têm impulsionado inclusive a venda de caminhões pesados: “O efeito multiplicador do agronegócio colabora com o aquecimento de todos os segmentos no mercado de caminhões, aliado ao aumento da massa salarial que aquece as vendas do comércio, elevando o nível de atividades na indústria e por conseqüência na demanda por transporte”, diz Roberto Alves dos Santos, gerente de marketing da MWM International Motores. Segundo o executivo, no primeiro trimestre de 2008, a participação da empresa na produção total de caminhões atingiu 18,3%, uma evolução de 36,6% nas vendas, comparada com o mesmo período do ano passado. Em relação aos caminhões pesados, a participação da MWM International saltou de 3,7% para 6,9%, comparando os três primeiros meses de 2007 com o mesmo período em 2008. Para Mário Massagardi, diretor de engenharia e vendas de sistemas de injeção diesel da Robert Bosch, entre outros fatores, há uma maior demanda de transportes vinda do agronegócio, indústria e comércio, o que no geral estimula o investimento em aumento de frota. Carlos Bruzzi, diretor de operações Diesel Aftermarket para a América do Sul, diz que o mercado de veículos pesados começou o ano de 2008 da mesma forma que terminou 2007, superaquecido: “No primeiro bimestre deste ano, o crescimento surpreendente das vendas alcançou um aumento de 32,35% em relação ao mesmo período do ano passado”. De acordo com Carlos Bruzzi, as razões para esse crescimento são economia forte, facilidade na contratação de financiamentos, ampliação das frotas, crescimento da indústria automobilística e produção agrícola recorde do País. “Há um cenário favorável que leva o País à frente, onde o Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC, é uma das faces mais visíveis. No caso específico do segmento de transportes, a explicação é relativamente simples porque tudo que é produzido precisa ser transportado e a Randon mantém-se preparada para isso. Houve uma feliz conjugação de fatores positivos que incluem segmentos importantes como a cadeia do agronegócio, a área de construção civil, automotiva e de bens de consumo”, afirma Norberto Fabris, diretor executivo da Randon. Não tão ligado ao agronegócio, o segmento de caminhões leves não cresceu tanto quanto a média que contabiliza a venda total de caminhões - 30% em 2007 em relação a 2006 -, independentemente do PBT – Peso Bruto Total. Pedro Soares, gerente de marketing da Agrale, explica que o mercado de caminhões leves, que cresceu apenas 17,9% no ano passado, em relação a 2006, é menos suscetível às mudanças no campo. Mesmo assim, ele espera para esse ano um crescimento de 20-25% nas suas vendas. Meta que será atingida sem grandes problemas, caso o mercado continue aquecido e favorável aos negócios. |