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Angelo Morino
Engenheiro, diretor-geral da Divisão
Mercado de Reposição da ArvinMeritor |
O setor automotivo tem se destacado na concepção de fábricas, sistemas de montagem e produtos em harmonia com o meio ambiente. Especialmente nos países desenvolvidos a preocupação com o bem-estar dos empregados e da comunidade aparece entre as prioridades das corporações, que assumem também o compromisso público de zelar pela natureza. Efluentes, emissões gasosas e descarte de sobras das linhas de produção têm destino certo: o pós-tratamento ou a recuperação e reciclagem.
A realidade é diferente nos países em desenvolvimento, como o nosso, onde há um longo caminho a percorrer para que a maioria das empresas conquiste o título de protetora do meio ambiente. Se há alguns avanços consideráveis entre os fabricantes, muitos dos quais já exibem o certificado da ISO 14001, o segmento de distribuição e serviços de aftermarket, como um todo, está longe desse horizonte, incluindo concessionárias, distribuidores, atacadistas, lojas de varejo e oficinas.
Nem mesmo a legislação ajuda em todos os casos, deixando de estimular o descarte ou a reutilização de materiais e produtos plásticos, borrachas, baterias, óleos e muitos outros artigos. Exemplos são fluidos utilizados em sistemas de freios, motores, caixas de câmbio e diferenciais. Quantas empresas e aplicadores sabem das regras para manuseio, armazenagem, transporte e descarte desses produtos?
Certamente são poucos. E quanto às embalagens? São conhecidos os procedimentos para diferentes materiais como papelão, madeira, isopor e plástico?
Enquanto por aqui rios, ruas e lixões são destino certo de materiais à primeira vista “inservíveis” ou de pouco valor aparente, em países desenvolvidos uma embalagem atirada em local errado leva à multa de quem a assina: o fabricante é responsável pelo ciclo completo de produção e distribuição, incluindo a embalagem. Vamos caminhar nessa direção?
Quando se fala em estimular a inspeção veicular, é hora de pensar também em reciclagem dos componentes – um enorme desafio no aftermarket. Se milhares de carros forem retirados de circulação por não estarem enquadrados nas regras de emissões e segurança, o que fazer com eles sem o suporte da reciclagem? Remanufaturar pode ser uma boa saída em muitos casos. Mais que um negócio rentável, é caminho para evitar desperdício e traz um forte apelo ambiental. No cenário americano e europeu a prática tem sido incentivada. No Brasil existem iniciativas que ganham importância. Se a distância às práticas dos países desenvolvidos é grande, tanto mais temos a ganhar com um pouco de esforço e conscientização de todos os profissionais envolvidos em nosso segmento de aftermarket.
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