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Frederico Ramos
Foto: Fabrício Maruxo |
Mercado Automotivo – De que maneira a crise, que afetou a economia mundial em 2008, afetou os negócios da distribuição de autopeças?
Frederico dos Ramos – A crise financeira afetou os fabricantes de autopeças em suas matrizes, o que, de certa forma, também prejudicou a distribuição aqui no Brasil no início da crise, mas depois tudo voltou ao normal. Inclusive, como o varejo estava aquecido, para a distribuição foi bom. Como o governo tomou medidas que atenuaram a crise, o setor de reposição automotiva se manteve estável.
Mercado Automotivo – Como é hoje o mercado de distribuição de autopeças no Brasil?
Dos Ramos – O cenário da distribuição no Brasil é muito promissor. Quando a ponta (varejo e oficina) tem movimento, reflete positivamente na distribuição e na indústria. Este ano foi bom para a distribuição e acreditamos que 2010 será melhor ainda por vários fatores, entre eles, a inspeção ambiental veicular, que foi ampliada para toda a frota da cidade de São Paulo, o que deve gerar aumento de movimento nas oficinas. Estamos falando de um universo de mais de 6 milhões de veículos, entre carros, motos e caminhões. Muitos vão ter de fazer reparos para poder passar, já que a maioria não faz manutenção preventiva. Isso será inevitável.
Mercado Automotivo – Qual é o tamanho desse mercado?
Dos Ramos – O mercado da distribuição no Brasil tem 265 empresas que geram 39,8 mil empregos, cujo o faturamento em 2009 foi de 10,8 bilhões de reais. Com logística e capilaridade, distribuidores e varejistas de autopeças estão presentes em todos os municípios do País para abastecer os mercados locais, que têm necessidades diferentes de acordo com a frota circulante. Com dimensões continentais abrangentes e transporte predominantemente rodoviário, o Brasil possui características distintas e complexas, de acordo com cada região.
A frota nacional de veículos estimada em 27,8 milhões de unidades (dados do Estudo da Frota do Sindipeças) tem idade média de 9 anos, porém há muita diversidade em sua composição, principalmente nas duas pontas (veículos novos e usados com mais de 20 anos de uso).
Os distribuidores e varejistas precisam estar em sintonia para compreender as diferenças de várias regiões e as oscilações do mercado. Há regiões em que a frota tem modelos com mais idade, principalmente no interior dos Estados, e maior concentração de veículos novos e seminovos em centros urbanos e nas capitais.
Para atender à demanda de forma rápida e ágil, o setor da reposição automotiva conta com canais de distribuição espalhados por todo o País, permitindo que determinada peça esteja no balcão da loja em até 48 horas, nos lugares mais distantes dos grandes centros urbanos.
A distribuição e o varejo têm investido fortemente em tecnologia para apurar a necessidade de cada mercado, acompanhando a evolução tecnológica da indústria.
Além disso, os distribuidores mantêm parceria com os varejistas para abastecê-los de acordo com a demanda. Também investem em treinamento e capacitação profissional de vendedores de ponta para garantir a satisfação do consumidor.
Mercado Automotivo – Em sua opinião, qual a principal característica do mercado de distribuição de autopeças no Brasil? Qual o perfil do distribuidor ideal?
Dos Ramos – O distribuidor precisa ter bom relacionamento com o varejo e investir em logística para atender à demanda diversificada. Não há perfil ideal como uma receita de bolo, pois o País tem muitas adversidades; o importante é conhecer o mercado em que atua e dar o suporte necessário ao varejo.
Mercado Automotivo – Embora a distribuição de autopeças tenha modernizado seus processos de entrega e atendimento nos últimos anos graças a novas tecnologias e à informática, ainda sofre alguns entraves. Quais são hoje as dificuldades para os empresários que investem nesse setor?
Dos Ramos – O empresário precisa ter capital de giro, pois precisa cumprir os prazos e dar boas condições para o varejo que não tem linha de financiamento. Toda a cadeia sofre com a falta de crédito e a distribuição fica no meio do sanduíche. É um problema crônico do setor que precisa ser resolvido.
Mercado Automotivo – Produtos com procedência e qualidade duvidosas avançam rapidamente no mercado de distribuição, que tem dificuldades para sensibilizar o consumidor de que nem sempre o mais barato é o melhor e mais seguro. A Andap tem uma política estipulada para proteger e orientar seus associados da ameaça desses concorrentes e, principalmente, de atuação junto a outras entidades nesse trabalho de conscientização do consumidor?
Dos Ramos – Sim, a Andap tem adotado medidas para coibir a ação desses criminosos, que colocam em risco a vida das pessoas. O GMA tem um grupo de estudos que está traçando um plano com uma série de medidas para ajudar a combater esse crime, que é um verdadeiro desrespeito ao consumidor. Precisamos informar a população que desconhece o problema e é a maior vítima. Para isso, contamos com os veículos de comunicação, como a revista Mercado Automotivo, que muito tem nos ajudado nessa questão.
Mercado Automotivo – À frente da Andap, quais são suas principais preocupações e ações?
Dos Ramos – O combate à pirataria e à falsificação é uma das principais preocupações, mas também, juntamente com a diretoria, estudamos e avaliamos ações que possibilitem o desenvolvimento do setor. Com a atuação do GMA, o setor da reposição está mais forte e unido. Avançamos muito com o programa Carro 100% / Caminhão 100%, permitindo que o consumidor saiba da importância da manutenção preventiva em seu veículo.
Em 2010, o programa deve incorporar novas ações e a distribuição está sempre presente para apoiar, pois, afinal, o objetivo final de toda a cadeia é atingir o dono do veículo. E isso estamos conseguindo fazer com sucesso, o que já é uma vitória.
Mercado Automotivo – Para o próximo ano, quais são suas propostas e expectativas?
Dos Ramos – O próximo ano será de muitas novidades. Iniciamos uma nova gestão e muita coisa deve mudar, inclusive encerro também minha participação como
presidente da Andap. Espero ter contribuído para o setor; e tenho certeza que o próximo dirigente dará continuidade aos trabalhos desenvolvidos em minha gestão.
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