| |
Raio X do mercado de distribuição brasileiro |
| |
- No País são cerca de
240 distribuidores de
autopeças
- São 500 centros de
distribuição
- Faturamento anual
ultrapassa os R$ 10,5
bilhões
- Responsável por 40 mil
postos de trabalho
- Empresas
heterogêneas e
tradicionais – a maioria
delas está há mais de 30
anos no mercado |
Atualmente cerca de 240 distribuidores de autopeças atuam no País. É por meio dos seus mais de 400 centros de distribuição que os componentes automotivos fabricados no Brasil e até em outros países chegam aos mais de cinco mil municípios brasileiros e também em algumas cidades do exterior. A agilidade dessas empresas é tanta que a maioria delas podem garantir a entrega de um item, mesmo para os clientes mais distantes, em menos de 24 horas.
Números como os do faturamento anual, que ultrapassa os R$ 10,5 bilhões, e da capacidade empregatícia, hoje de cerca de 40 mil postos, dão uma melhor dimensão da importância desse segmento. “Não consigo enxergar uma reposição eficiente sem a participação da distribuição no sistema. O Brasil tem dimensões continentais e vários tipos de varejo e de oficinas. Não fosse a disponibilidade e a logística dos distribuidores, provavelmente haveria regiões no País com muitos veículos parados por falta de peças”, afirma Frederico dos Ramos, presidente da Andap – Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças – e da Ginjo Auto Peças. Apesar de pertencerem ao mesmo elo de mercado, não significa que essas empresas sejam todas iguais. Muito pelo contrário. Além de ser formado por diferentes tamanhos de empresas – pequenas, médias e grandes –, o elo distribuidor ainda tem companhias que atuam das maneiras mais diversas. Alguns optam por fornecer produtos apenas para determinadas linhas de veículos (segmentados), já outros preferem estender ao máximo seu portfólio e, assim, conquistar mais clientes (generalistas ou diversificados). “A maioria dos distribuidores ainda opta pela diversificação.
Acredito que apenas 20%-30% das empresas caminhe para a especialização”, afirma Luiz Carlos Vieira, diretor executivo da Andap. Outra característica bastante marcante do setor é a experiência. A maioria dessas empresas já passou dos 30 anos e boa parte delas nasceu antes mesmo das montadoras de carros e grandes fabricantes de peças terem se instalado no País.
Fora de foco
Apesar de toda força e experiência, essas empresas também sofrem com problemas estruturais, conjunturais e mercadológicos. A falta de crédito é um deles, mas que poderia ser resolvido com um bom programa político de incentivo à produção e comércio e com a maior ajuda dos fabricantes de autopeças no financiamento dos produtos: “Com iniciativas como essas poderíamos aumentar o fluxo financeiro para toda a cadeia”, diz Ramos. Outro problema que atormenta os distribuidores brasileiros é a legislação tributária, que coloca os empresários no alvo da guerra fiscal entre os Estados. “São tantas as variáveis e diferenças entre os Estados da federação que somos obrigados a conviver com situações bastante difíceis. Uma delas é a de implantação de sistemas sofisticados para o devido acompanhamento e cumprimento
das leis fiscais.
A outra é a competitividade
desleal, propiciada justamente
porque a atual legislação dá
margem à sonegação”,
declara Ramos.
O excesso de participantes
em todos os elos da cadeia de
distribuição também enfraquece
economicamente o setor e pode
causar, no futuro, um enxugamento
na quantidade de empresas desse
mercado, diz Ramos.
Tudo isso sem contar a entrada
de autopeças “importadas” no
mercado, o que também ajudou
a dificultar a vida dos
distribuidores nacionais.
Otimismo
Mesmo diante de tantos
desafios, o presidente da
Andap se diz otimista e
espera que 2008 seja melhor
do que o ano anterior. “Os
recordes de vendas de
veículos novos farão
com que o mercado
de reposição também
seja beneficiado
economicamente,
basta que o período
de garantia desses
carros vença e
eles deixem as
concessionárias”,
explica Ramos, que
ainda acredita que o
custeio das campanhas
eleitorais deste ano
possa fazer circular
mais dinheiro no mercado, o que
também contribui para a melhoria
da economia.
A melhorar
No entanto, alerta o presidente
da Andap, o fortalecimento do
mercado independente e do
próprio distribuidor, seja neste
ou nos próximos anos, depende
primeiro da qualificação do setor
de reparação automotiva: “Não
tenho dúvidas de que se o mercado
reparador for eficiente teremos
cada vez mais sucesso. Por isso, as
fábricas, os distribuidores e o varejo
não devem poupar esforços para
ajudar a qualificar e equipar cada
vez mais o elo da cadeia que mais
tem contato com o cliente final”.
Outra medida que ajudaria a
melhorar os negócios na reposição,
acredita Ramos, é a criação de
financiamentos que permitam
ao dono de carro financiar a
compra de peças e o conserto
do seu veículo: “Nosso setor
não tem financiamento para os
consumidores e, por isso, deixa
que outros segmentos, como os
de eletroeletrônicos, celulares e
materiais de construção, que já
há algum tempo oferecem esse
recurso, sejam preferidos pelos
consumidores”, explica o presidente
da Andap.
Ainda segundo Ramos, o respeito
pela cadeia do aftermarket
automotivo é essencial para o
bom funcionamento do setor
de reposição independente. No
entanto, ele admite não existir
medidas comuns que possam
garantir que a corrente não seja
quebrada: “Qualquer norma mais
rígida fica bastante comprometida
diante dos interesses comerciais
de cada um. Acreditamos que o
mercado por si só irá se encarregar
de estabelecer quem vai vender
para quem”. Falando em melhorias,
a relação dos distribuidores com
seus fornecedores, que parece
andar bem, só precisa mesmo de
um ajuste nas áreas de atendimento
e garantia, afirma o presidente da
Andap: “Infelizmente, por motivo
de redução de custos, muitas
fábricas cortaram demasiadamente
o pessoal da assistência técnica.
Por vezes as respostas em torno
de garantias e de laudos técnicos
deixam muito a desejar”.
Já o relacionamento com o varejo,
afirma Ramos, precisa ser mais
produtivo. “O distribuidor precisa
oferecer ao varejista o maior
número possível de referências para
que ele tome a melhor decisão ao
fechar um negócio. Além disso,
cabe ao distribuidor não destruir
esse relacionamento ao adquirir
peças sem procedência só porque
os preços são 20% menores do que
os oferecidos pelos fornecedores
tradicionais”, conclui dos Ramos.
|